Minas Gerais transforma feiras de turismo em estratégia para atrair negócios

Foto: Via Assessoria

CEO da Travel Next Minas afirma que grandes eventos ampliam a visibilidade dos destinos anfitriões, fortalecem a economia local e geram negócios que permanecem muito além dos dias da feira

Durante muitos anos, as grandes feiras do turismo brasileiro concentraram-se em mercados como São Paulo e Rio de Janeiro. Para Rubia Coser, CEO da Travel Next Minas, esse cenário começou a mudar com a realização de eventos de grande porte em Minas Gerais, transformando o estado em um novo polo de negócios para a indústria do turismo.

Em artigo divulgado antes da edição 2026 da Travel Next Minas, marcada para os dias 12 e 13 de agosto, no ExpoMinas, em Belo Horizonte, a executiva defende que o principal legado de uma feira de turismo não está apenas nos destinos expostos pelos expositores, mas na capacidade do próprio destino anfitrião de se posicionar perante o mercado.

Segundo Rubia, ainda existe a percepção de que feiras servem apenas para promover localidades participantes. Na prática, porém, quem recebe esses eventos também amplia sua visibilidade e fortalece sua economia.

Experiência do destino influencia futuras vendas

Para a executiva, agentes de viagens, operadores e profissionais do setor não permanecem restritos ao ambiente da feira.

Ao longo da programação, utilizam hotéis, restaurantes, serviços de transporte, conhecem atrativos turísticos e entram em contato com a cultura local, vivenciando o destino de forma prática.

Na avaliação de Rubia, essa experiência influencia diretamente a capacidade desses profissionais de comercializar a região posteriormente.

“O profissional que conhece pessoalmente um destino está muito mais preparado para recomendá-lo. Quando visita hotéis, experimenta a gastronomia local e entende a dinâmica da região, transforma essa vivência em argumento de venda”, destaca.

Travel Next Minas amplia exposição do estado

Criada em 2023, a Travel Next Minas nasceu justamente com o objetivo de inserir Minas Gerais no circuito dos principais encontros do turismo brasileiro.

A expectativa para a edição deste ano é reunir aproximadamente 2 mil agentes de viagens, número que, segundo a executiva, representa uma das maiores ações de familiarização turística já realizadas no estado.

Esse contato direto com o destino tende a gerar efeitos que permanecem por vários anos, já que os profissionais retornam aos seus mercados levando conhecimento, relacionamento e novas oportunidades comerciais.

Operadoras ajudam a descentralizar o turismo

O artigo também chama atenção para o papel estratégico das operadoras de turismo.

Quando essas empresas passam a incluir novos roteiros em seus portfólios, acabam validando comercialmente regiões que muitas vezes ainda são pouco exploradas, ampliando o fluxo de visitantes e estimulando investimentos em diferentes municípios.

Para um estado com a diversidade turística de Minas Gerais, essa dinâmica contribui para descentralizar o turismo e distribuir melhor os benefícios econômicos da atividade.

Impactos começam antes da abertura da feira

Rubia lembra que os efeitos econômicos de um evento desse porte começam muito antes da abertura oficial.

A montagem da estrutura mobiliza fornecedores, empresas de comunicação, logística, segurança, montagem, tecnologia e serviços, gerando contratações diretas e indiretas.

Durante os dias da feira, hotéis, bares, restaurantes, transportadoras e pequenos empreendedores registram aumento na demanda, ampliando o impacto sobre a economia local.

Legado vai além dos dias do evento

Na avaliação da executiva, os maiores resultados aparecem após o encerramento da programação.

Ela cita os efeitos tradicionalmente observados pelo segmento MICE (Meetings, Incentives, Conferences and Exhibitions), que incluem impactos diretos, indiretos e induzidos na economia.

No turismo, esses resultados costumam se prolongar por anos, à medida que agentes continuam comercializando os destinos visitados, operadoras ampliam seus produtos e novas oportunidades de negócios surgem a partir dos relacionamentos estabelecidos durante o evento.

Leitura de mercado

O posicionamento de Rubia Coser reforça uma mudança importante no mercado brasileiro de eventos. Cada vez mais, feiras de turismo deixam de ser apenas vitrines comerciais para se consolidarem como ferramentas de desenvolvimento regional.

Ao sediar encontros nacionais da indústria, Minas Gerais amplia sua visibilidade junto aos principais tomadores de decisão do setor e fortalece sua presença no calendário de negócios do turismo. Mais do que receber visitantes durante alguns dias, o estado trabalha para transformar essa exposição em fluxo turístico permanente, relacionamento comercial e novos investimentos para sua cadeia produtiva.

 

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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