Islian Pereira (Superintendente de Turismo, Cultura e Esportes de Noronha) e Léa Renata (gerente de comunicação do Governo de Pernambuco) – Crédito_ Divulgação
O reconhecimento espontâneo do viajante virou ativo estratégico. Fernando de Noronha voltou ao centro do debate ao liderar a primeira edição do prêmio “O Melhor do Turismo Brasileiro”, promovido pelo Estadão.
A ilha não apenas venceu. Dominou duas frentes-chave. Foi eleita Destino Top of Mind e ainda levou o primeiro lugar na categoria Praia do Nordeste com a Baía do Sancho.
Não é coincidência. É consistência de posicionamento.
Destino Top of Mind revela força de marca no turismo brasileiro
Ser lembrado primeiro não é detalhe. É vantagem competitiva.
A categoria Top of Mind mede exatamente isso. O destino que surge na cabeça do consumidor sem esforço. Nesse cenário, Noronha supera concorrentes tradicionais e reafirma um ponto claro. A marca do destino já está consolidada na mente do brasileiro.
O prêmio, estruturado em 25 categorias, segue metodologia da FIA Business School, combinando dados de plataformas de turismo com avaliação de especialistas.
Os critérios são objetivos. Relevância, inovação, impacto, sustentabilidade e experiência.
Ou seja, não é apenas percepção. Há validação técnica.
Baía do Sancho mantém liderança e sustenta narrativa de excelência
Mas aqui existe um ponto estratégico. Não é apenas beleza natural.
É controle de acesso, preservação e experiência.
O modelo limita fluxo e mantém qualidade. Isso sustenta a reputação no longo prazo e evita a saturação que compromete outros destinos.
Gestão pública e iniciativa privada operam no mesmo eixo
O reconhecimento também expõe um fator menos visível. A coordenação entre gestão pública e trade local.
Para Islian Pereira, o resultado está diretamente ligado ao modelo de gestão que prioriza conservação e ordenamento.
Já Hayrton Almeida conecta o prêmio à experiência percebida pelo visitante, reforçando a responsabilidade de manter o padrão.
Esse alinhamento não é comum no Brasil. E faz diferença.
Sem governança, destinos perdem valor. Com controle, escalam reputação.
O que o prêmio revela além do reconhecimento
A cerimônia aconteceu no Wish Foz do Iguaçu Resort e reuniu diferentes players do setor. Mas o destaque de Noronha vai além da premiação em si.
Ele indica uma leitura de mercado.
O turista valoriza natureza preservada, experiência controlada e autenticidade. E está disposto a pagar por isso.
Noronha não compete por volume. Compete por valor.
Leitura do Mercado | Turismo&Eventos
Fernando de Noronha reforça um modelo que contraria o crescimento desordenado de destinos no Brasil.
A combinação entre controle de fluxo e alto valor percebido pressiona outros destinos a reverem estratégias.
Para o trade, fica claro. Não basta atrair mais turistas. É preciso qualificar a experiência.
Destinos que não estruturarem gestão e preservação tendem a perder espaço para modelos mais sustentáveis e exclusivos.

