Crédito: Divulgação/Grupo Sirena
A movimentação em torno do litoral do Ceará ganha um novo capítulo com a entrada de um player global. O anúncio do novo resort do Club Med, dentro de um complexo liderado pelo Grupo Sirena, não é apenas expansão de portfólio. É reposicionamento de destino.
Os acordos assinados com o Governo do Ceará e a Prefeitura de Beberibe formalizam um investimento de R$ 1 bilhão, com entrega prevista para 2029. No papel, são 2 mil empregos permanentes. Na prática, é a tentativa de transformar a Praia de Uruaú em um novo eixo internacional do turismo brasileiro.
Resort no Ceará conecta hospitalidade, imobiliário e esporte
O projeto será implantado em uma área de 240 hectares, a cerca de 100 km de Fortaleza. Desses, 30 hectares serão ocupados pelo resort all inclusive do Club Med, que funcionará como âncora do complexo.
O restante da área integra um modelo híbrido que mistura turismo, segunda residência e entretenimento. Não é um resort isolado. É um ecossistema.
O empresário Jaime Sirena, à frente da operação, posiciona o projeto como uma síntese de experiência acumulada em diferentes frentes. Já Dody Sirena amplia o discurso ao destacar o potencial de posicionar o Ceará em um novo patamar internacional.
A estratégia passa por escala e permanência. Não é um projeto de curto ciclo.
Kitesurf entra no portfólio global do Club Med
A localização não foi escolhida por acaso. Inserido na chamada Rota dos Ventos, o resort nasce com uma proposta inédita para a marca.
Será o primeiro resort de kitesurf da história do Club Med.
O conceito, definido internamente como “ski-on-the-sea”, tenta replicar no mar a lógica de experiência consolidada nos resorts de neve. A leitura é direta. O esporte deixa de ser complemento e passa a ser protagonista da jornada.
Para Janyck Daudet, o potencial é claro: transformar o destino em polo global de kitesurf e windsurf, com capacidade de atrair fluxo internacional.
Aqui, há um ponto sensível para o trade. A especialização do produto aumenta o ticket médio e reposiciona o destino em nichos de alto valor.
Empregos e impacto local entram no centro do discurso
O projeto promete gerar cerca de 2 mil empregos permanentes, distribuídos entre construção, operação turística e serviços.
Para o governador Elmano Freitas, a entrada de uma marca global reforça a competitividade do estado no cenário internacional.
Já a prefeita Michele Queiroz atua como peça-chave na articulação local, viabilizando o avanço institucional do projeto.
O discurso institucional aponta desenvolvimento econômico. Mas, na prática, o impacto dependerá da capacidade de integração com a cadeia local.
Sem isso, o risco é o enclave turístico.
Grupo Sirena acelera posicionamento com R$ 2 bilhões no turismo
O projeto no Ceará não está isolado. Ele se soma ao Sirena Gramado, lançado no fim de 2025, também com presença do Club Med.
Com isso, o Grupo Sirena ultrapassa R$ 2 bilhões em investimentos no país.
Esse volume reposiciona a empresa dentro do turismo nacional. Sai do campo de projetos pontuais e entra na lógica de plataforma.
A estratégia combina três vetores: hospitalidade internacional, entretenimento e desenvolvimento imobiliário. Um modelo que tenta capturar valor em toda a jornada do visitante.
Leitura do Mercado | Turismo&Eventos
O movimento do Club Med no Ceará pressiona destinos concorrentes do Nordeste que ainda operam com produto pouco segmentado.
A entrada do kitesurf como eixo estruturante cria um novo recorte de demanda internacional, especialmente europeu.
Para operadoras, surge uma oportunidade clara de construção de produto premium com narrativa esportiva e experiencial.
Para redes hoteleiras, o recado é direto. Integração entre hospedagem, experiência e imobiliário deixa de ser tendência e passa a ser padrão competitivo.

