Expo Center Norte transforma acessibilidade em parte permanente da experiência de eventos

Foto: via assessoria

A acessibilidade começa a ocupar um espaço mais estratégico na indústria de eventos. Em São Paulo, o Expo Center Norte incorporou essa discussão à própria operação ao manter, há um ano, um Espaço Sensorial permanente, criado para oferecer um ambiente de autorregulação a pessoas com diferentes níveis de sensibilidade aos estímulos de grandes eventos.

Segundo o empreendimento, trata-se do primeiro centro de exposições e convenções do Brasil a manter uma estrutura desse tipo de forma permanente e integrada à operação de hospitalidade. Desde o lançamento, o espaço já realizou mais de 250 atendimentos e esteve disponível em mais de 60 grandes feiras, entre elas CIOSP, APAS Show, WTM, Arnold Sports Festival e RH Summit.

A iniciativa atende principalmente pessoas neurodivergentes, crianças, idosos e visitantes que apresentam hipersensibilidade a estímulos visuais e sonoros. O serviço é oferecido sem custo adicional para organizadores e expositores.

A decisão de incorporar o espaço de maneira permanente representa uma mudança na forma como a infraestrutura de eventos é pensada. Em um setor acostumado a concentrar investimentos em pavilhões, tecnologia, logística e conforto físico, a experiência do visitante passa a incluir também condições para lidar com estímulos que podem tornar a permanência em uma feira difícil para determinados públicos.

Um ambiente pensado para reduzir estímulos

O Espaço Sensorial não foi concebido apenas como uma área convencional de descanso. A estrutura foi planejada para diminuir estímulos externos e oferecer recursos que auxiliem na autorregulação e na recuperação do bem-estar.

Entre os equipamentos estão recursos de aromaterapia controlada, brinquedos sensoriais e táteis, tatames de proteção, piscina de bolinhas e uma torre de bolhas. A composição procura oferecer diferentes possibilidades de estímulo e relaxamento, permitindo que cada visitante utilize o ambiente de acordo com sua necessidade.

O projeto também passou por aprimoramentos desde o início da operação, a partir da experiência acumulada nos eventos realizados no pavilhão.

Para Paulo Ventura, diretor do Expo Center Norte, a iniciativa faz parte de uma evolução da própria ideia de hospitalidade no setor.

“Mais do que proporcionar uma infraestrutura técnica robusta, faz parte do nosso propósito garantir que a experiência em nossos pavilhões seja acolhedora e acessível a todas as pessoas.”

A declaração aponta para uma mudança de perspectiva: acessibilidade deixa de ser tratada apenas como adequação física e passa a envolver a experiência completa de quem participa de uma feira ou congresso.

Organizadores incorporam a iniciativa

A utilização do espaço também começa a influenciar a maneira como os próprios eventos estruturam suas ações de inclusão.

Na ABCasa, por exemplo, o Espaço Sensorial passou a ser incorporado de forma contínua como parte da experiência oferecida ao público. No Diversão Offline, considerado o maior evento de jogos de mesa da América Latina, a organização ampliou a iniciativa com novos equipamentos interativos e a contratação de profissionais de saúde especializados para atuar durante o evento.

O movimento mostra que a estrutura disponibilizada pelo pavilhão pode servir como ponto de partida para iniciativas mais abrangentes dos organizadores.

Nesse modelo, a responsabilidade pela acessibilidade não fica concentrada exclusivamente no espaço físico. Centro de eventos, promotor e expositor passam a participar da construção de uma experiência mais inclusiva, cada um dentro de sua esfera de atuação.

Acessibilidade entra na estratégia de hospitalidade

A presença de um Espaço Sensorial permanente também acompanha uma discussão mais ampla sobre o perfil do público dos grandes eventos. Feiras profissionais e eventos de consumo reúnem pessoas com diferentes idades, características e necessidades, e a experiência de participação pode influenciar tanto a percepção do visitante quanto a reputação do próprio evento.

Para os organizadores, iniciativas desse tipo podem representar uma ferramenta de diferenciação em um mercado no qual os atributos técnicos dos pavilhões são cada vez mais semelhantes entre grandes equipamentos.

A questão deixa de ser apenas quantos metros quadrados estão disponíveis ou quais recursos tecnológicos podem ser incorporados ao evento. Passa a envolver também como diferentes públicos conseguem ocupar aquele espaço e participar da experiência.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A consolidação do Espaço Sensorial do Expo Center Norte aponta para uma transformação relevante na indústria de eventos: hospitalidade começa a ser medida também pela capacidade de acomodar diferentes formas de perceber e vivenciar um evento.

O dado mais importante não é apenas a existência de uma sala específica, mas sua incorporação à operação permanente do equipamento. Isso muda o patamar da iniciativa porque transforma uma ação pontual em infraestrutura disponível para diferentes eventos e organizadores.

Para os promotores, a existência de uma estrutura já instalada reduz uma das barreiras para a adoção de práticas de acessibilidade. Em vez de criar soluções específicas a cada feira, o organizador passa a contar com uma estrutura que pode ser integrada ao planejamento do evento e, a partir dela, desenvolver outras ações.

Há também um efeito comercial. À medida que visitantes e empresas passam a valorizar experiências mais inclusivas, a capacidade de um centro de eventos oferecer recursos de acessibilidade pode se tornar um critério de escolha do local. Isso coloca o tema dentro da disputa por eventos, e não apenas dentro das políticas institucionais de responsabilidade social.

Para São Paulo, principal mercado de feiras e eventos do país, o movimento tem relevância adicional. Grandes eventos concentram milhares de pessoas em ambientes com alto volume de estímulos, e soluções de autorregulação podem ampliar a participação de públicos que anteriormente encontravam dificuldades para permanecer nesses espaços.

O próximo passo, porém, é transformar iniciativas isoladas em uma abordagem mais ampla. Comunicação acessível, treinamento das equipes, sinalização, atendimento preparado e planejamento de diferentes necessidades precisam caminhar junto à infraestrutura física.

O Espaço Sensorial mostra, nesse sentido, que acessibilidade pode deixar de ser uma adaptação posterior e passar a fazer parte do desenho original da experiência de eventos. Para centros de exposições, organizadores e marcas, essa mudança representa não apenas uma questão de inclusão, mas também uma nova dimensão de qualidade na entrega ao público.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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