Foto: Ney Anderson
Nesta sexta-feira, 4, foi realizado no Recife o I Workshop sobre o Projeto de Integração de Fernando de Noronha, que pretende levar energia e internet banda larga do continente até a ilha, através de um cabo submarino híbrido. O evento aconteceu no Centro de Formação da Chesf e contou com a presença de autoridades, entre eles, o secretário de Educação de Pernambuco, Fred Amâncio; a secretária de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eline Nascimento; o diretor de Operação da Chesf, João Henrique Franklin; o diretor geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Nelson Simões; e a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Lúcia Melo.
O projeto de instalação do cabo submarino está sendo elaborado em conjunto pelos Ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; de Minas e Energia; Defesa, Ministério da Educação, além da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), com o apoio da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) e do Governo de Pernambuco. O seminário apresentou informações sobre o tema, mostrando a importância da conectividade e do ganho no acesso de energia elétrica para Noronha por meio de fibras óticas. A ilha hoje trabalha com energia movida a diesel e possui internet via satélite.
O evento foi divido em duas etapas. Pela manhã, os representantes dos Ministérios, do Governo de Pernambuco e de empresas de tecnologia, que podem se tornar parceiras na implantação do projeto, falaram sobre a necessidade de tornar a ilha mais desenvolvida por meio da integração digital, gerando novas atividades econômicas, com negócios conectados com as novas plataformas online.
A secretária de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Eline Nascimento, diz que no campo da educação o projeto de integração digital é fundamental. “Para fazermos um bom trabalho de educação precisamos ter um bom acesso de internet, podendo proporcionar uma melhoria na área educacional. A nossa ideia é montar um núcleo do Instituto Federal de Pernambuco na ilha, para levarmos professores periodicamente e realizarmos ações de qualificação e extensão na área social, ambiental e de saúde. Além de modalidades de ensino a distância”.
A ilha de Fernando de Noronha é estratégica para o Brasil, com posição de destaque no Atlântico Sul por ter, em conjunto com o litoral pernambucano, a maior extensão de costa do país. Isso permite a articulação com pesquisas hemisféricas no âmbito global. De acordo com a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, Lúcia Melo, o projeto começou ganhar uma estrutura muito robusta, com a capacidade de torná-lo real, através da liderança de vários ministérios e também do Governo do Estado.
O projeto, segundo ela, vem de encontro justamente no momento em que já foi definida a estratégia de interiorização com infraestrutura de conectividade. Para a secretária, vai muito além da educação e formação de pessoas. “Tenho a expectativa também de que possamos criar em Fernando de Noronha um futuro muito próspero, de uma infraestrutura e plataforma global aberta para estudo e monitoramento em climas, oceanos e biodiversidade”, destacou Lúcia Melo.
Rodrigo Valença, superintendente de Tecnologia, Orçamento e Finanças do Distrito, que estava representando o administrador da ilha Luís Eduardo Antunes, disse que Fernando de Noronha possui peculiaridades, tanto na questão do meio ambiente e também no aspecto social. Rodrigo acredita que a melhoria da conectividade em Noronha vai trazer para o arquipélago vários benefícios, baseado, sobretudo, em duas vertentes: a turística e a social.
“Por ser geograficamente isolada, Noronha possui várias particularidades, mas esse isolamento não pode ser um entrave para a população adquirir conhecimento. A partir de agora, a gente terá um avanço muito grande. Principalmente na área educacional, de inclusão digital para as crianças e adolescentes de Noronha na creche Bem-me-quer e na Escola Arquipélago. A questão social também vai ser beneficiada. O contato do ilhéu mais rápido com a informação quem vem do continente vai ser um avanço significativo, predominantemente no aspecto social”, destacou Rodrigo.
O ministro da Educação, Mendonça Filho, participou da segunda parte do seminário no horário da tarde, disse que o projeto de conectividade para Noronha é algo relevante no sentido de mais educação, inovação, ciência e tecnologia na ilha. A intenção do evento foi discutir o tamanho dos investimentos e a definição do calendário de execução e custos, que devem ser divulgados muito em breve. “Hoje temos o intuito de proporcionar algo difícil de acreditar há alguns anos, que é levar energia do continente, e no mesmo cabo, conexão com internet, a Fernando de Noronha”, observou.
“A energia e a conectividade na ilha de Fernando de Noronha é fundamental. Noronha tem uma posição estratégica, que deve ser reforçada, e essa iniciativa, que reduzirá o impacto ambiental e trará qualidade de vida para a população, é importante. O acesso à internet facilita fortemente a dinâmica da pesquisa e ao mesmo tempo permite acesso adequado à educação e saúde. Para a educação é um passo importante, porque a educação pressupõe infraestrutura para ter acesso ao conhecimento, e cada vez mais estamos em outro patamar”, disse.
Presente também no evento, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, fez um paralelo com o projeto Amazônia Conectada, que para ele tem semelhanças com o que se pretende fazer em Noronha. “Serão 7.800 quilômetros nos rios da Amazônia e com a possibilidade, além da transferência de dados, de levar também energia elétrica. Temos 900 km já lançados, com a capacidade de fazer a comunicação de Manaus a Tefé”, declarou Jungmann.
Segundo o diretor do departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação do Ministério da Defesa, General Decílio Sales, o desafio é construir em Noronha um cabo de baixo custo para adequar a realidade econômica do país e estudar a melhor forma para montar a estrutura de lançamento. “O projeto para Fernando de Noronha é similar ao da Amazônia Conectada, que nós estamos executando com grande êxito. Vamos precisar de várias parcerias para fazer o mesmo no arquipélago, tanto da parte técnica quanto na operacional. Por isso que é necessário que seja um projeto nacional. Eu estou bem feliz e acredito que seremos bem sucedidos”, avaliou o General.

