Encontro reforça estratégia da Flórida para ampliar presença comercial no mercado brasileiro (Foto: Marcos Arruda/T&E)
Para quem atua no trade, o movimento recente da Visit Florida durante a WTM Latin America deixa um sinal claro. O Brasil voltou ao centro das decisões comerciais de destinos internacionais.
O brunch com imprensa e parceiros, realizado em São Paulo, não foi apenas um encontro institucional. Foi uma ação direta de relacionamento em um momento estratégico, quando operadores, destinos e fornecedores estão definindo prioridades para os próximos meses.
O que está por trás do movimento
Os dados apresentados durante o evento ajudam a entender a intensidade dessa movimentação.
A Flórida recebeu cerca de 1,3 milhão de brasileiros em 2025, crescimento de 10% em relação ao ano anterior. Mais do que volume, o dado reposiciona o Brasil como o principal mercado emissor internacional para o destino.
Na prática, isso significa um viajante com maior capacidade de consumo e decisão mais clara de viagem.
Outro ponto relevante. Cerca de 60% dos brasileiros que viajam aos Estados Unidos incluem a Flórida no roteiro. Esse comportamento reduz a dependência de estímulo e coloca o destino em vantagem na disputa por conversão.
Esse tipo de movimento já aparece em outros destinos internacionais, que passam a direcionar investimento, presença local e ações de relacionamento para o mercado brasileiro.
Destinos ajustam discurso e ampliam oportunidades
Durante o encontro, os parceiros da Flórida mostraram uma mudança consistente na forma de apresentar o destino ao trade.
Kissimmee reforça sua posição com base em produto. São mais de 30 mil casas de temporada, com foco em famílias e grupos, um formato que se conecta diretamente com o comportamento do viajante brasileiro.
O crescimento acompanha essa lógica. O fluxo de brasileiros avançou cerca de 19%, com expectativa de alta contínua em 2026.
Na prática, isso amplia permanência e aumenta o volume de consumo dentro do destino.
Já Miami trabalha outra frente. A cidade combina lazer, gastronomia e negócios, além de uma agenda forte de eventos internacionais.
A presença de ativações ligadas à Copa do Mundo e experiências abertas ao público amplia o acesso e cria novas portas de entrada para o destino.
Enquanto isso, regiões como St. Pete-Clearwater e Tampa Bay avançam em posicionamento. O foco está em cultura, gastronomia e eventos estruturados, com o objetivo de aumentar o tempo de permanência e diversificar o perfil de consumo.
O impacto direto no trade
Existe um ponto central nessa movimentação.
Relacionamento voltou a ter peso real nas decisões comerciais.
A presença ativa durante a WTM, combinada com encontros direcionados, cria proximidade e acelera negociações. Em um cenário com mais concorrência, quem mantém contato constante tende a capturar mais oportunidades.
Na prática, isso exige um trade mais preparado, atualizado e próximo dos destinos.
Por que isso altera a dinâmica do setor
A mudança vai além da comunicação.
A Flórida passa a trabalhar o destino como um conjunto de experiências, e não apenas como produto isolado. Isso amplia as possibilidades de venda e permite ao agente montar roteiros mais completos.
Ao mesmo tempo, outros destinos internacionais observam esse movimento e ajustam suas estratégias. O resultado é um ambiente mais competitivo, com maior disputa pelo turista brasileiro.
Para o mercado, isso representa pressão por qualificação. Para o trade, abre espaço para ampliar portfólio e melhorar conversão.
Leitura do Mercado | Turismo&Eventos
A presença ativa do Visit Florida na WTM confirma um ponto que o mercado já começa a sentir. O Brasil voltou a ser tratado como prioridade, não como complemento.
Isso tende a aumentar o volume de ações no país, elevar o nível de disputa entre destinos e gerar mais oportunidades comerciais.
Para quem atua no trade, o caminho está claro. A vantagem estará com quem entender rápido esse movimento, ajustar portfólio e se posicionar de forma mais estratégica na venda internacional.

