Bariloche revela a Patagônia a pé em trilhas para diferentes perfis de viajantes

Refúgio López – Chiwi Giambirtone

Rede de percursos permite explorar bosques, lagos, vales e montanhas em caminhadas de poucas horas ou expedições de vários dias

Bariloche é conhecida pelas paisagens de montanha, lagos e bosques que caracterizam a Patagônia argentina, mas existe uma maneira particularmente direta de explorar esse território: caminhar por suas trilhas.

A rede de trekking do destino reúne percursos de diferentes níveis de dificuldade, permitindo que a atividade seja praticada tanto por visitantes que procuram uma caminhada curta quanto por viajantes preparados para passar vários dias na montanha.

Há opções de baixa, média, alta e extrema dificuldade, com trajetos que podem durar menos de uma hora, caminhadas de um dia e travessias com pernoite em refúgios ou áreas de camping.

Essa variedade transforma o trekking em um produto turístico capaz de atender diferentes perfis, sem limitar a experiência aos praticantes experientes de montanhismo.

Para começar, caminhadas de baixa dificuldade

Entre as alternativas mais acessíveis está o Parque Municipal Llao Llao. O caminho até o Lago Escondido leva aproximadamente 20 minutos por trecho. Já os percursos pelo Cerrito Llao Llao e Villa Tacul variam entre 50 minutos e 1h20.

São caminhadas que atravessam áreas de bosque e permitem contato com a paisagem sem exigir o mesmo nível de preparo físico das travessias de montanha.

Outra opção indicada para quem está começando é Bahía López. O percurso, classificado como de baixa dificuldade, dura cerca de 1h30 e proporciona vistas para o Brazo de la Tristeza, a própria Bahía López e o Cerro Capilla.

A possibilidade de realizar essas experiências sem dedicar um dia inteiro à atividade amplia o potencial do trekking para diferentes roteiros de viagem.

Um dia inteiro na montanha

Para quem deseja aumentar o nível de desafio, o caminho entre a base do Cerro Catedral e o Refúgio Emilio Frey está entre os percursos mais conhecidos.

São aproximadamente 10 quilômetros por trecho, com desnível de 700 metros. Durante o verão, o tempo estimado para a ida é de quatro a cinco horas.

A classificação varia conforme a época do ano: entre novembro e abril, a dificuldade é considerada média; de maio a outubro, passa para alta.

Embora seja possível fazer ida e volta no mesmo dia, a extensão do percurso exige planejamento. Horário de saída, previsão meteorológica e quantidade de horas de luz disponíveis precisam ser considerados antes do início da caminhada.

Outra possibilidade é o trajeto entre Colonia Suiza e o Refúgio Italia Manfredo Segre, junto à Laguna Negra. São cerca de 11 quilômetros por trecho, com desnível de 800 metros e duração estimada de cinco a seis horas para a ida.

O Parque Nacional Nahuel Huapi recomenda esse percurso entre dezembro e abril. Quem pretende passar a noite pode utilizar o refúgio ou a área de camping, desde que faça a reserva previamente.

Travessias para quem quer permanecer na montanha

O trekking ganha outra dimensão para quem transforma a caminhada em uma viagem dentro da própria montanha.

A Travesía de los Cuatro Refugios conecta Frey, Jakob, Laguna Negra e López em um percurso de aproximadamente quatro a cinco dias. Classificada como de alta dificuldade, a travessia reúne jornadas que podem variar de quatro a nove horas.

Os refúgios permitem organizar os pernoites ao longo do caminho, mas a experiência exige preparo físico e experiência em ambientes de montanha.

Outra alternativa de vários dias é a Travesía de las Cinco Lagunas, um itinerário de maior exigência que atravessa diferentes ambientes da cordilheira. Nesse caso, experiência, condicionamento físico e planejamento ganham ainda mais importância.

A região do Cerro Tronador também concentra opções de trekking. O Paso de las Nubes conecta Pampa Linda ao Refúgio Agostino Rocca e segue posteriormente em direção a Puerto Frías. A travessia é realizada em duas jornadas, com pernoite no refúgio, e é indicada para quem já possui experiência em trilhas de montanha.

A região também integra diferentes trechos da Huella Andina, trilha de longa distância da Patagônia Norte que permite realizar setores de maneira independente.

Experiências que exigem conhecimento técnico

No extremo da classificação está a travessia entre os refúgios Otto Meiling e Agostino Rocca pelo Glaciar Alerce.

O percurso, de aproximadamente cinco quilômetros entre os dois refúgios, exige cerca de quatro a cinco horas de caminhada e é considerado de dificuldade extrema durante todo o ano.

A travessia do glaciar demanda equipamentos e conhecimentos técnicos específicos e deve ser realizada obrigatoriamente com guia de montanha.

O exemplo mostra a amplitude da oferta de Bariloche. O mesmo destino que permite uma caminhada de aproximadamente 20 minutos também oferece experiências que exigem preparação especializada e conhecimento de ambientes de alta montanha.

Planejamento também faz parte da experiência

A diversidade de trilhas não significa que todas estejam disponíveis durante todo o ano ou que apresentem sempre o mesmo nível de dificuldade.

As condições meteorológicas, o estado do terreno, o desnível, a quantidade de horas de luz e a época do ano podem alterar significativamente as características de um percurso.

Por isso, antes de sair, o visitante precisa verificar se a trilha está habilitada, consultar as condições atualizadas e seguir eventuais restrições determinadas pelas autoridades.

Para realizar trekking dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, é obrigatório fazer previamente o Registro de Trekking, gratuito e realizado por grupo.

Também é necessário verificar antecipadamente as condições de funcionamento e reserva dos refúgios, campings e demais áreas autorizadas para pernoite.

Mais do que uma formalidade, o planejamento funciona como uma ferramenta de segurança em um ambiente no qual as condições podem mudar rapidamente.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A força de Bariloche como destino de trekking está justamente na diversidade. Ao reunir desde caminhadas acessíveis até travessias técnicas, o destino consegue trabalhar diferentes perfis de visitantes e aumentar as possibilidades de permanência e consumo de experiências relacionadas à natureza.

Essa variedade também ajuda a reduzir a dependência de um único tipo de turista. Famílias e viajantes iniciantes podem escolher percursos curtos, enquanto praticantes experientes encontram desafios que justificam estadias mais longas e planejamento específico.

Para o destino, o trekking representa ainda uma forma de distribuir a experiência turística pelo território e aproximar o visitante de ambientes naturais. O ponto fundamental, porém, é que quanto maior o nível de dificuldade, maior deve ser o grau de preparação. Informação atualizada, registro, equipamentos adequados e respeito às orientações das autoridades são parte indissociável do produto turístico.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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