Divulgação, Beto Carrero World – comercial
A despedida de uma atração que atravessou gerações costuma dizer tanto sobre a história de um parque quanto sobre o seu futuro. É o que acontece agora com a Star Mountain, que encerra em 2026 uma trajetória de 32 anos no Beto Carrero World. Inaugurada em 1994, a montanha-russa foi uma das atrações que ajudaram a consolidar a identidade do parque catarinense e, ao longo das décadas, tornou-se referência para quem associa o destino à adrenalina.
A última operação está marcada para 13 de setembro, quando o Beto Carrero World realizará a chamada Última Volta, em uma ação de despedida destinada a visitantes, colaboradores e fãs da atração.
O momento encerra um ciclo que começou na década de 1990, quando a Star Mountain chegou ao parque como uma das principais apostas para ampliar seu portfólio de atrações radicais. Fabricada pela holandesa Vekoma, a montanha-russa passou a integrar a experiência de gerações de visitantes e permanece registrada na memória de famílias que conheceram o Beto Carrero World justamente por meio de suas atrações de maior impacto.
A própria operação atual ainda dimensiona o lugar ocupado pela montanha-russa no parque. A Star Mountain tem 35 metros de queda inicial, dois loopings e altura mínima de 1,20 metro.
Mais do que seus números, porém, o significado da atração está na longevidade. Para muitos visitantes, a Star Mountain representou o primeiro contato com uma montanha-russa de grande porte. Em outros casos, tornou-se um ritual de viagens que se repetiram ao longo dos anos, primeiro com os pais, depois com filhos e amigos.
É essa dimensão afetiva que o parque pretende resgatar durante o encerramento. Uma série especial de cinco episódios será produzida para contar a história da atração, reunindo depoimentos de colaboradores e fãs, além de curiosidades e bastidores. O primeiro teaser está previsto para 20 de agosto.
A despedida acontece em meio a uma mudança de ciclo
A saída da Star Mountain não ocorre de forma isolada. Ela está inserida em um processo mais amplo de renovação do Beto Carrero World, que anunciou um plano de R$ 2 bilhões em investimentos nos próximos anos, incluindo novas áreas temáticas, atrações, infraestrutura e experiências.
A decisão mostra como parques temáticos precisam administrar uma equação delicada: preservar elementos capazes de construir vínculo emocional com o público sem transformar o passado em obstáculo para a evolução do produto.
No caso do Beto Carrero World, a substituição de uma atração histórica ganha peso justamente porque ocorre em um momento de expansão. A Star Mountain deixa espaço para uma próxima etapa, enquanto outras atrações emblemáticas continuam sendo atualizadas.
Fire Whip retorna renovada
Um dos exemplos é a Fire Whip, que deve retornar em setembro depois de passar pelo maior retrofit de sua história, segundo o parque. O projeto recebeu investimento superior a R$ 24 milhões e incluiu a substituição dos 502 metros de trilhos, além de intervenções nos sistemas operacionais e na estrutura da atração.
A Fire Whip ocupa uma posição diferente na história do parque. Trata-se de uma montanha-russa invertida, na qual os visitantes ficam suspensos sob os trilhos, e que se tornou uma das atrações mais conhecidas do Beto Carrero World. A operação atual confirma a permanência da atração no portfólio radical do parque.
O contraste entre as duas movimentações é revelador. Enquanto a Star Mountain encerra sua trajetória, a Fire Whip passa por uma atualização profunda para continuar operando. O parque, portanto, não está simplesmente substituindo atrações antigas por novas: também está escolhendo quais experiências de seu legado merecem ser preservadas e atualizadas.
Uma atração que virou memória
Em 32 anos, a Star Mountain recebeu mais de 33 milhões de visitantes, segundo os números divulgados pelo Beto Carrero World. A média superior a 1 milhão de passageiros por ano ajuda a dimensionar o alcance da atração.
Mas a relevância de uma montanha-russa que permanece em operação por mais de três décadas não se mede apenas pela quantidade de passageiros. A Star acompanhou a própria transformação do parque e do mercado de entretenimento brasileiro, atravessando diferentes gerações de visitantes e mudanças no comportamento do público.
Sua retirada também evidencia uma característica cada vez mais presente nos grandes parques: atrações precisam evoluir junto com a experiência oferecida pelo destino. Tecnologia, conforto, segurança, tematização e capacidade de gerar novidade passaram a ter peso semelhante ao da própria intensidade do brinquedo.
A Star Mountain termina sua história operacional no Beto Carrero World, mas não desaparece da história do parque. A Última Volta será justamente a tentativa de transformar o encerramento em um momento de celebração — e não apenas de despedida.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
A saída da Star Mountain representa uma decisão estratégica típica de destinos de entretenimento maduros. Depois de mais de três décadas, uma atração deixa de ser apenas equipamento e passa a carregar patrimônio emocional. Retirá-la exige administrar a nostalgia do público ao mesmo tempo em que se cria expectativa pelo que virá depois.
Para o Beto Carrero World, o movimento ganha importância porque acontece dentro de um ciclo anunciado de investimentos de grande escala. O desafio será transformar a ausência de uma atração conhecida em percepção de novidade, sem perder a identidade construída ao longo de quase três décadas e meia.
A Fire Whip mostra outro caminho: atualizar um ícone para prolongar sua vida útil. A combinação entre aposentadoria, retrofit e novas atrações sugere uma estratégia de portfólio em que o parque passa a trabalhar diferentes estágios de maturidade de seus equipamentos.
Para o mercado turístico, a questão central é menos a saída de uma montanha-russa específica e mais o que ela revela sobre a próxima fase do Beto Carrero World. Em parques de grande porte, renovação deixou de ser apenas uma questão de adicionar brinquedos. É também uma ferramenta para estimular novas visitas, preservar relevância e manter o destino competitivo diante de um público cada vez mais familiarizado com grandes experiências de entretenimento.

