Alisha Reynolds e Todd Lindey apresentam ao mercado brasileiro a estratégia de Calgary e da WestJet para a nova conexão direta com São Paulo. (Foto: Marcos Arruda/T&E)
Com estreia em dezembro, ligação direta com São Paulo será usada para ampliar estadias, apresentar novas experiências e aproximar Calgary do trade brasileiro
A chegada do voo direto da WestJet entre São Paulo e Calgary representa mais do que uma nova opção de acesso ao Canadá. Para a Tourism Calgary, a conexão abre espaço para ampliar a permanência dos brasileiros na cidade e diversificar o motivo da viagem, incorporando experiências urbanas, gastronomia, cultura e negócios ao roteiro tradicional das Montanhas Rochosas.
Alisha Reynolds, presidente e CEO da Tourism Calgary, e Todd Lindey, diretor de Vendas da WestJet, detalharam a estratégia para o Brasil durante encontro com profissionais do trade realizado nesta terça-feira (18), em São Paulo.
Lindey confirmou que o voo inaugural está previsto para 15 de dezembro de 2026. A WestJet informa atualmente que a rota será operada três vezes por semana durante a temporada de inverno, de dezembro de 2026 a fevereiro de 2027, a bordo do Boeing 787-9.
A rota será a primeira ligação sem escalas da WestJet entre o oeste do Canadá e a América do Sul e também marca a entrada de Calgary na operação sul-americana da companhia. A parceria com a LATAM amplia as possibilidades de conexão a partir de São Paulo para outros mercados da região.
O voo muda a estratégia
Para Alisha, a conectividade direta reduz uma das principais barreiras na escolha de um destino internacional. Calgary já trabalha o mercado brasileiro, mas a nova ligação cria condições para ampliar esse fluxo e facilitar a chegada de viajantes interessados tanto em lazer quanto em negócios.
A executiva associou a nova rota à possibilidade de apresentar Calgary a um público maior e aproveitar a conectividade para estimular estadias mais longas.
A estratégia não se resume, portanto, ao aumento de chegadas. A cidade pretende ganhar espaço dentro do roteiro canadense e disputar mais noites de hospedagem e consumo turístico.
Calgary quer ganhar noites no roteiro brasileiro
O desafio para a Tourism Calgary é conhecido: o brasileiro já associa Alberta a Banff e às Montanhas Rochosas. A estratégia apresentada por Alisha é fazer com que a cidade tenha peso próprio na decisão de viagem.
Ela citou uma oferta que vai além das paisagens de montanha, incluindo a extensa rede de caminhos urbanos para caminhada e bicicleta, gastronomia, produção de alimentos, experiências de farm-to-table, whiskey de Alberta, compras, cultura e experiências indígenas.
A intenção é criar motivos para que o visitante permaneça em Calgary antes ou depois de explorar as Rockies.
A cidade também funciona como base para experiências em áreas próximas. Segundo a Tourism Calgary, há acesso a cinco sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco e quatro parques nacionais.
Para o mercado brasileiro, isso amplia as possibilidades de construção de roteiro. Calgary pode deixar de aparecer apenas como ponto de chegada e passar a disputar efetivamente noites de hospedagem e consumo turístico.
Stopover transforma conexão em produto
A estratégia tem ainda uma ferramenta específica para capturar esse passageiro: o Calgary Stopover Program, lançado em junho pela Tourism Calgary em parceria com a WestJet e o Calgary International Airport.
O programa foi criado para transformar passageiros em conexão em visitantes. Segundo a Tourism Calgary, mais de sete milhões de viajantes internacionais passam anualmente pelo aeroporto de Calgary em conexão sem deixar a área do terminal. A iniciativa reúne ofertas de hospedagem e benefícios em atrações da cidade.
Alisha explicou que o viajante pode acrescentar de um a sete dias em Calgary, com condições especiais de hospedagem e acesso a atrações.
A lógica é aproveitar um fluxo que já passa pelo aeroporto para gerar hospedagem, consumo em restaurantes, visitas a atrações e experiências locais.
WestJet amplia o alcance da conexão
Para a WestJet, São Paulo representa a entrada de Calgary em um novo mercado continental.
A companhia terá três frequências semanais entre as duas cidades durante a temporada e contará com São Paulo como ponto de conexão para a rede sul-americana da LATAM, parceira da empresa.
A integração das redes amplia as possibilidades de conexão para passageiros brasileiros e de outros países da América do Sul que tenham Calgary como destino final.
Para o turismo, a consequência é a ampliação da área de influência de Calgary. A cidade passa a ter uma ligação direta com o Brasil e, por meio de São Paulo, acesso a diferentes mercados sul-americanos.
Rendez-vous Canada coloca Calgary diante dos compradores internacionais
A estratégia terá outro momento importante em 2027, quando Calgary receberá o Rendez-vous Canada, principal marketplace internacional de turismo do país.
O evento será realizado de 28 de abril a 1º de maio de 2027, na comemoração dos 50 anos do evento. A programação reunirá compradores internacionais e empresas canadenses, colocando Calgary no centro das negociações do turismo receptivo canadense.
Alisha afirmou que a Tourism Calgary já prepara programas de familiarização antes do evento. A intenção é levar compradores internacionais para conhecer diferentes experiências de Calgary e de Alberta.
A escolha da cidade para a edição comemorativa ganha peso adicional diante da expansão de sua conectividade. O evento será uma oportunidade para apresentar a transformação do destino diretamente aos profissionais responsáveis por colocar produtos canadenses nos roteiros internacionais.
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A nova rota coloca Calgary diante de uma oportunidade que depende menos de reconhecimento do destino e mais da capacidade de transformar acesso em produto. Para o trade brasileiro, isso abre espaço para rever roteiros que tradicionalmente concentram a experiência canadense nas Rockies e incorporar Calgary como parte efetiva da viagem.
O teste começa em dezembro: a conectividade estará disponível, mas a resposta do mercado virá da quantidade de noites, produtos e passageiros que os operadores conseguirem gerar a partir dela.

