RCI debate nova fase da propriedade compartilhada e os desafios de um consumidor mais exigente

Fotografia: Comunicação/RCI

No Turistrends, RCI coloca transparência, flexibilidade e experiência no centro da discussão sobre o amadurecimento da multipropriedade no Brasil

Depois de um período de expansão acelerada, a propriedade compartilhada começa a enfrentar uma questão diferente no Brasil: como transformar crescimento em maturidade de mercado. A evolução dos produtos, a entrada de grandes grupos e um consumidor mais informado aumentaram a relevância do segmento, mas também elevaram a exigência por transparência, qualidade e clareza na relação comercial.

Esse será um dos pontos centrais da participação da RCI na primeira edição do Turistrends, que acontece nesta terça-feira (25), no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia (GO). Fabiana Leite, diretora de Desenvolvimento de Negócios para América do Sul da RCI, participa do painel “Desmistificando a Propriedade Compartilhada”, ao lado de Átila Gratão, vice-presidente da GAV Hotéis & Resorts, com mediação de Erick Faleiro, diretor executivo da Your Vacation.

A discussão ocorre em um momento em que a propriedade compartilhada deixou de ocupar um espaço restrito no mercado de férias e passou a fazer parte das estratégias de desenvolvimento de empreendimentos e destinos turísticos.

O desafio agora é amadurecer a relação com o consumidor

A expansão da multipropriedade veio acompanhada de maior profissionalização das empresas, produtos mais estruturados e mudanças regulatórias. Ao mesmo tempo, o consumidor passou a pesquisar mais antes de tomar decisões de compra e a comparar diferentes possibilidades de utilização de suas férias.

Para Fabiana Leite, essa mudança altera também a responsabilidade das empresas que atuam no segmento.

“O próximo passo passa necessariamente pela transparência, qualidade da experiência e construção de relações de longo prazo.”

A avaliação aponta para uma mudança de foco. Se em uma fase anterior a discussão estava concentrada na expansão do modelo, agora ganha peso a capacidade de entregar aquilo que foi apresentado ao consumidor e manter sua relação com o produto ao longo do tempo.

Nesse cenário, desmistificar a propriedade compartilhada significa também explicar melhor seu funcionamento, seus benefícios e as possibilidades de utilização, reduzindo dúvidas que ainda cercam o modelo.

Flexibilidade passa a pesar na decisão de compra

Outro aspecto que ajuda a explicar a transformação do segmento é a mudança na expectativa do viajante.

O consumidor não busca necessariamente ficar vinculado a um único destino ou empreendimento durante toda a vida útil de sua aquisição. A possibilidade de variar destinos e experiências passa a ser um componente importante do valor percebido.

É nesse ponto que o intercâmbio de férias ganha relevância.

A possibilidade de utilizar períodos de férias em diferentes destinos amplia o repertório de viagens disponível ao proprietário e transforma o produto compartilhado em uma porta de acesso a uma rede mais ampla de experiências.

Para o setor, essa dinâmica também tem uma consequência comercial: quanto maior a variedade de possibilidades de uso, maior a capacidade de manter o consumidor ativo dentro do ecossistema de viagens.

RCI acompanha transformação do modelo

A RCI está diretamente ligada à evolução desse mercado. Pioneira no conceito de intercâmbio de férias, a companhia construiu uma rede internacional que conecta empreendimentos afiliados e consumidores em diferentes destinos.

Ao longo de mais de cinco décadas, a empresa acompanhou mudanças no comportamento dos viajantes e na própria estrutura da indústria de hospitalidade. Na América do Sul, mantém relacionamento com desenvolvedores, resorts e empreendimentos turísticos, acompanhando a expansão da propriedade compartilhada e sua crescente integração ao mercado de viagens.

No Brasil, essa transformação ocorre paralelamente ao desenvolvimento de novos destinos, resorts e produtos turísticos, ampliando o espaço para modelos que combinam hospedagem, propriedade e experiências de férias.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A discussão proposta pela RCI no Turistrends mostra que a propriedade compartilhada entrou em uma etapa em que crescer já não é suficiente. O desafio passa a ser consolidar confiança, recorrência e valor percebido pelo consumidor.

Isso muda a régua para incorporadores, administradores e empresas de intercâmbio. Produtos mais sofisticados precisam vir acompanhados de comunicação clara, operação consistente e alternativas reais de utilização.

O intercâmbio também ganha importância nesse processo porque amplia a utilidade do produto. Quanto maior a possibilidade de escolha de destinos e experiências, menor a percepção de que a aquisição está limitada a uma única propriedade.

Para o Turismo&Eventos, o movimento aponta para uma tendência mais ampla da indústria: a propriedade compartilhada deixa progressivamente de ser apenas um modelo de aquisição e passa a disputar espaço como plataforma de acesso a experiências de viagem. O próximo ciclo de crescimento dependerá menos da novidade do conceito e mais da capacidade do setor de entregar uma relação duradoura com um consumidor que já conhece melhor suas opções e exige mais delas.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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