Inés Bertón preparando infusões de chás (Foto: Divulgação)
Gran Meliá Iguazú aposta em blends inspirados na biodiversidade regional, enquanto Casa Lucia transforma mate e coquetelaria em experiências de conexão cultural
A gastronomia e as bebidas podem funcionar como uma porta de entrada para conhecer um destino. É a partir dessa perspectiva que a Meliá Hotels International desenvolve experiências em duas de suas propriedades na Argentina, utilizando ingredientes, tradições e referências culturais locais para criar momentos que ultrapassam a mesa.
No Gran Meliá Iguazú, a experiência está associada aos sabores da biodiversidade sul-americana. No Casa Lucia, Member of The Meliá Collection, em Buenos Aires, o foco está em um dos símbolos mais reconhecidos da cultura argentina: o mate.
Embora diferentes, as duas propostas seguem uma mesma lógica: transformar elementos cotidianos da região em experiências capazes de aproximar o hóspede da identidade do destino.
Chá com identidade de Misiones
No Gran Meliá Iguazú, localizado diante do Parque Nacional Iguazú, a experiência começa pela própria paisagem. A contemplação das Cataratas pode ser acompanhada por uma coleção de chás desenvolvida pela argentina Inés Bertón, fundadora da Tealosophy.
A seleção utiliza ingredientes associados a diferentes regiões da América do Sul, criando blends que procuram traduzir a identidade da região por meio de aromas e sabores.
Entre as opções está o Gran Meliá Iguazú, que combina hibisco, rosa-mosqueta, manga e mamão de Misiones com chá preto.
Outra composição, Com Vontade de se Animar, combina chá preto cultivado em altitude com pétalas de girassol, toranja, rosas e manga. Já o Gran Meliá Iguazú Doce aproxima a bebida de uma sobremesa ao reunir doce de leite, frutas silvestres, laranja, tangerina, groselha e rosa-mosqueta.
A coleção inclui ainda o Gran Meliá Iguazú Verde, com pêssegos locais, chá verde, maçã e jasmim; o Natureza Verde, que combina chá verde, abacaxi assado de Misiones, coco e maracujá; e o Calma, composto por tangerina, camomila, verbena-limão, limão de Tucumán, sabugueiro e mirtilos da Patagônia.
A proposta transforma a bebida em uma espécie de mapa sensorial da Argentina e de outros territórios sul-americanos, utilizando ingredientes para criar uma relação mais direta entre o hóspede e o lugar.
Mate como experiência cultural
Em Buenos Aires, a relação com a identidade argentina aparece de outra maneira no Casa Lucia. Em vez de trabalhar uma carta de chás, o hotel utiliza o mate como elemento central de uma experiência dedicada à cultura local.
O Mate Ritual apresenta aos hóspedes a história da bebida, seu significado e os códigos envolvidos no preparo e no compartilhamento. A experiência dura aproximadamente 1h15 e é conduzida por um integrante da equipe.
Além da explicação sobre a tradição, o ritual inclui água quente, erva-mate e uma seleção de preparações doces e salgadas tradicionais. A proposta é criar um ambiente de conversa e partilha a partir de uma prática que faz parte do cotidiano argentino.
O mate foi reconhecido oficialmente como infusão nacional da Argentina em 2013, reforçando seu papel como elemento da identidade cultural do país.
Quando o chá encontra a coquetelaria
Ainda no Casa Lucia, o Le Club Bacán apresenta uma abordagem diferente com o Gin & Tea. A experiência combina chás e coquetéis infusionados com confeitaria de autor e pequenos sanduíches.
Entre as opções estão torta Bruce, mini key lime pie e mini Paris-Brest, acompanhadas por sanduíches preparados em pão ciabatta de fermentação natural.
Disponível diariamente das 16h às 19h, a proposta desloca o tradicional chá da tarde para o território da coquetelaria. O resultado é uma experiência que combina infusões, mixologia e gastronomia em um formato mais contemporâneo.
Nos dois hotéis, a estratégia da Meliá parte de elementos simples — chá, mate, ingredientes regionais e bebidas — para construir experiências associadas à identidade dos destinos.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
As iniciativas do Gran Meliá Iguazú e do Casa Lucia mostram como a hotelaria de experiência vem utilizando gastronomia e cultura como ferramentas de conexão com o território.
O diferencial não está simplesmente em oferecer um chá elaborado, um ritual de mate ou um coquetel. Está em contextualizar esses elementos e transformá-los em parte da narrativa da hospedagem. Para o viajante, isso acrescenta uma camada de descoberta que não depende exclusivamente dos grandes atrativos turísticos.
Esse movimento também interessa à hotelaria de luxo. Ao incorporar referências locais de maneira cuidadosa, o empreendimento consegue oferecer algo que dificilmente pode ser reproduzido em outra propriedade: uma experiência vinculada ao lugar.
No caso da Meliá, as duas propostas revelam ainda caminhos distintos para trabalhar esse conceito. Iguazú explora a biodiversidade e os ingredientes regionais; Buenos Aires utiliza um ritual profundamente associado à cultura argentina e o aproxima de formatos contemporâneos.
Para o mercado, a tendência é relevante porque mostra que luxo e exclusividade não precisam estar dissociados da identidade local. Pelo contrário: quanto mais uma experiência consegue revelar o destino por meio de sabores, histórias e costumes, maior pode ser seu valor percebido.

