Porto de Galinhas amplia conectividade internacional e aposta em novos mercados para sustentar crescimento

Otaviano Maroja – Foto: Marcos Arruda

A busca por novos mercados e o fortalecimento da conectividade aérea seguem como pilares estratégicos para destinos consolidados no Brasil. Em um cenário mais competitivo e com oscilações na demanda doméstica, Porto de Galinhas acelera sua presença internacional para manter ritmo de crescimento e ocupação. Foi com esse olhar que conversamos com Otaviano Maroja, Presidente do Porto de Galinhas CVB durante a WTM Latin America 2026.

Mais voos e novos mercados ampliam alcance do destino

A conectividade aérea é hoje um dos principais vetores de crescimento do destino. Segundo Maroja, houve um avanço importante nas ligações internacionais, com destaque para o aumento da operação entre Santiago e Recife, que passou de um para três voos semanais.

Outro movimento relevante é a entrada da Cabo Verde Airlines, que inicia operação com dois voos semanais conectando Recife a Cabo Verde, com ligação imediata para a Europa.

A estratégia é clara. Facilitar o acesso e diversificar mercados emissores.

“O voo traz um aporte muito positivo, com conexão direta para a Europa e tarifas competitivas”, destaca Maroja.

Além disso, o destino segue trabalhando a ampliação da malha com a Iberia e a Azul Linhas Aéreas, com operações partindo de Madrid e expectativa de voos mais frequentes ao longo do ano.

Europa avança, mas ainda enfrenta desafios

O mercado europeu volta a ganhar relevância, com destaque para Portugal, que segue como um dos principais emissores. Já a Espanha aparece como um desafio estratégico.

Segundo Maroja, o perfil do turista espanhol ainda está muito direcionado ao Caribe, que conta com ampla oferta de voos e pacotes competitivos.

“Estamos trabalhando com operadores e companhias aéreas para ampliar nossa presença. Não é um mercado fácil, mas estamos avançando”, explica.

Mercado nacional desacelera e exige novas estratégias

Se o internacional mostra sinais de recuperação, o mercado doméstico apresenta um cenário mais desafiador em 2026.

Apesar de um 2025 considerado excelente, com alta ocupação, e um primeiro trimestre ainda positivo em desempenho, o ritmo de vendas desacelerou. Fatores como cenário econômico, câmbio, calendário eleitoral e eventos globais impactam diretamente o comportamento do consumidor.

“O brasileiro está mais cauteloso. As vendas estão mais lentas, mais mornas”, afirma.

Esse movimento exige mais esforço comercial, mais ações promocionais e maior presença em canais de distribuição.

WTM ganha papel central na geração de negócios

Eventos como a WTM Latin America passam a ter ainda mais relevância nesse contexto. Para Porto de Galinhas, a feira se consolidou como uma das principais plataformas de negócios do turismo de lazer.

“A WTM se tornou fundamental. Está todo mundo aqui. É onde a gente cria conexões, apresenta novidades e busca novos mercados”, destaca Maroja.

Além da presença em feiras, o destino mantém um calendário intenso de capacitações e ações comerciais ao longo do ano, com foco em operadores e agentes de viagens.

América do Sul segue como base, com foco na Argentina

A América do Sul continua sendo um dos pilares da estratégia internacional. A Argentina, em especial, representa mais da metade do fluxo estrangeiro para o destino.

Para 2026, a estratégia inclui ações no interior argentino, em parceria com operadores e com o governo, ampliando o alcance além das tradicionais praças como Buenos Aires.

Crescimento da oferta aumenta concorrência

Outro ponto que entra na equação é o aumento da oferta hoteleira. Nos últimos anos, Porto de Galinhas recebeu cerca de 5.800 novos leitos, com a abertura de hotéis e pousadas.

O movimento amplia a competitividade e exige diferenciação constante por parte do destino.

Ao mesmo tempo, reforça sua maturidade como produto turístico, que completa cerca de 40 anos de desenvolvimento e mantém relevância no cenário nacional.

Permanência e perfil do turista

O perfil do visitante também segue bem definido. O turista brasileiro permanece, em média, cinco dias no destino, enquanto o estrangeiro estende a estada para cerca de oito dias.

Esse comportamento reforça a importância do mercado internacional para aumento de receita e sustentabilidade do destino.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

Porto de Galinhas está fazendo o movimento correto. Em um cenário de demanda doméstica mais fraca, buscar o internacional não é opção. É necessidade.

A ampliação de voos é o ponto-chave. Sem acesso, não há crescimento. Com conectividade, o destino entra no radar global.

Outro fator importante é a diversificação de mercados. Dependência excessiva de poucos emissores aumenta risco. Expandir para Europa e interior da América do Sul é estratégico.

O desafio agora é equilibrar oferta e demanda. Com mais leitos disponíveis, será preciso manter fluxo constante. E isso exige promoção, distribuição e presença ativa no trade.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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