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Produção da pesca local passa a abastecer mercados internacionais, aproximando tradição das comunidades pesqueiras de uma cadeia comercial mais ampla
A pesca artesanal de Porto Seguro (BA) começa a ocupar um espaço além do mercado regional. Parte do pescado capturado pelas comunidades locais já está sendo destinada a China e Estados Unidos, criando uma nova frente comercial para uma atividade que há décadas integra a economia e a identidade do município.
A operação conecta a Colônia de Pescadores Z-22, responsável pelo fornecimento da matéria-prima, ao Atacado do Peixe, indústria que realiza o beneficiamento e a exportação. Entre os produtos comercializados estão lagosta viva, lagosta congelada, cauda de lagosta congelada e peixe fresco.
A distribuição varia de acordo com o mercado. A lagosta viva e parte da produção congelada seguem para a China, enquanto peixes frescos e outra parcela da lagosta congelada são destinados aos Estados Unidos.
O movimento cria uma conexão pouco evidente entre uma atividade tradicional e uma cadeia de comércio exterior que exige padrões específicos de qualidade, processamento, conservação e logística.
Do litoral baiano ao mercado internacional
Um dos pontos estratégicos da operação está na logística. O Aeroporto Internacional de Porto Seguro é utilizado para transportar os produtos que dependem de rapidez, especialmente peixe fresco e lagosta viva.
As cargas seguem por via aérea, com conexão em São Paulo, antes de chegar aos Estados Unidos ou prosseguir para outros destinos internacionais, incluindo a China.
Para a lagosta congelada destinada ao mercado chinês, a operação utiliza o transporte marítimo em contêineres adequados, seguindo os protocolos de quarentena exigidos para esse tipo de produto.
A utilização do aeroporto como elo de uma cadeia exportadora amplia a importância da infraestrutura aérea para além do transporte de passageiros e cria uma nova possibilidade de integração econômica do município com mercados externos.
Pesca artesanal entra em uma cadeia mais estruturada
Fundada em 1970, a Colônia de Pescadores Z-22 reúne aproximadamente 500 associados e movimenta entre 20 e 30 toneladas de pescado por mês.
A atividade preserva conhecimentos transmitidos entre gerações, incluindo técnicas de pesca e o conhecimento sobre espécies, períodos e comportamento das marés. A chegada dos produtos a mercados internacionais acrescenta uma nova dimensão econômica a esse patrimônio tradicional.
Do outro lado da cadeia está o Atacado do Peixe, que atua há oito anos e emprega aproximadamente 40 pessoas. A empresa participa de etapas que vão do recebimento da produção ao controle de qualidade e preparação para exportação.
A expansão internacional depende justamente da capacidade de conciliar a origem artesanal do pescado com processos produtivos e sanitários compatíveis com as exigências dos países compradores.
Exportação pode ampliar renda na comunidade
Para a Colônia Z-22, a abertura de novos mercados representa uma oportunidade de aumentar a demanda pela produção local e gerar efeitos sobre diferentes famílias que dependem da atividade pesqueira.
“A nossa expectativa é produzir cada vez mais e fornecer pescado de qualidade para Porto Seguro e para o mundo, fortalecendo a economia e melhorando a renda dos pescadores”, afirma Pedro Henrique Campos Menezes, presidente da Colônia Z-22 desde junho de 2019.
Na avaliação de Maiara Marques de Souza, gerente do Atacado do Peixe, o impacto potencial alcança outros fornecedores envolvidos na cadeia.
“Esperamos fortalecer a cadeia do pescado, manter empregos e ampliar as oportunidades para pescadores, fornecedores e famílias da comunidade”, destaca.
A expansão, portanto, não representa apenas a criação de novos destinos comerciais para o pescado. Ela aproxima uma atividade tradicional de uma estrutura de beneficiamento, controle sanitário e logística internacional capaz de aumentar o alcance da produção.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
A entrada do pescado de Porto Seguro em mercados como China e Estados Unidos acrescenta uma dimensão econômica importante à imagem do destino. A cidade é reconhecida principalmente pelo turismo, mas possui uma economia costeira na qual a pesca continua desempenhando papel relevante para comunidades locais.
O aspecto mais significativo desse movimento está na valorização econômica de uma cadeia que começa no conhecimento tradicional dos pescadores e termina em mercados internacionais. Quando essa conexão é estruturada de forma adequada, a exportação pode contribuir para ampliar renda e preservar a atividade como fonte de trabalho para novas gerações.
A logística também merece atenção. O uso do aeroporto de Porto Seguro para produtos perecíveis mostra que a infraestrutura turística pode desempenhar outras funções econômicas, conectando produtores locais a mercados distantes.
Para o destino, há ainda uma oportunidade de posicionamento: apresentar sua gastronomia e seus produtos do mar não apenas como elementos da experiência turística, mas como parte de uma cadeia produtiva com identidade territorial.
O desafio será garantir que o crescimento comercial caminhe junto com sustentabilidade da pesca, controle da produção e valorização efetiva dos pescadores. É essa combinação que poderá transformar uma nova rota de exportação em desenvolvimento econômico duradouro para as comunidades costeiras.

