O universo dos festivais e eventos híbridos

Ontem, durante o primeiro dia do Tendências 360, evento on-line que acontece até amanhã, 29, o painel que discutiu o futuro dos eventos foi um dos grandes destaques. Não só pelo impacto abissal que o setor sofreu desde o início da pandemia, mas principalmente pelo poder de reinvenção que os grandes festivais experimentaram e seguirão fortalecidos. Ralph Peticov, do Hacktown, lembrou que “os eventos híbridos já existiam antes de surgir a Covid-19, as Olimpíadas são um exemplo clássico disso”, contextualizou. “Mas a mudança de hábitos, do comportamento frente a uma tela, foi fundamental para repensar formatos para entregar uma experiência figital que fosse divertida, autêntica, satisfatória, gostosa e totalmente diferente do ambiente de trabalho”, completou Peticov.

Carol Soares, pesquisadora de experiências criativas de aprendizagem no ØCLB, Tracy Mann, representante do Brasil para o maior festival de inovação e tecnologia do mundo, o South by Southwest (SXSW), e o artista audiovisual, programador e VJ, Caio Fazolin, completaram o debate cheio de ideias e análises. “Faz apenas um ano e meio que todos fomos forçados a entrar nessa aceleração digital. Não podemos nos exigir tanto por algo que é relativamente novo, mesmo porque festivais e públicos se encontravam, pré-pandemia, em estágios diferentes de relacionamento com a tecnologia”, lembrou Carol. Em relação ao futuro do modelo híbrido para os festivais, e eventos de modo geral, a pesquisadora alertou que não precisamos sermos todos tecnológicos, criativos e surpreendentes sempre, nem achar que tudo é descartável: “Temos que entender que os eventos e festivais continuarão a ter times e tecnologias diferentes para cada ocasião e está tudo bem. O que é preciso ser feito é juntar esses múltiplos olhares e experiências vividas durante a pandemia e saber que teremos um modelo e outro, não uma coisa ou outra”.

Para os debatedores, ainda é preciso resolver questões de interatividade entre o público on-line e os eventos, como também a questão do acesso e velocidade de conexão. A versão digital dos eventos deverá focar na personalização, no modo como o indivíduo quer consumir aquele conteúdo, pois o presencial sempre será melhor do ponto de vista da experiência, da emoção. Haverá uma euforia quando a pandemia acabar, os espaços públicos serão os verdadeiros palcos das manifestações culturais e, claro, dos festivais, mas depois disso, muita coisa nova será construída.

O Tendências360 tem como objetivo compartilhar conhecimento relevante sobre as transformações de comportamento e consumo dos setores de Turismo, Gastronomia e Entretenimento, especialmente pensando na retomada pós-vacina, além de ser beneficente: 100% dos ingressos serão revertidos para a Garupa, a Gastromotiva e Instituto Playing for Change, três ONGs que estão fazendo trabalhos incríveis. A programação completa pode ser vista no site do evento e os ingressos custam R$ 59, sendo que o conteúdo ficará disponível para acesso durante 30 dias.

O Tendências360 tem patrocínio de Brocker Turismo, Elo, PMWeb e Sebrae.

Tracy Mann, Ralph Peticov, Caio Fanzolin e Carol Soares durante painel no 1º dia do Tendências 360 – Divulgação

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