Onças brasileiras ocupam Miami e levam arte, turismo e conservação para o centro das atenções globais

Jaguar Parade transforma a cidade que receberá jogos da Copa do Mundo em uma galeria a céu aberto com obras de artistas brasileiros – Foto: Divulgação 

À medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, Miami começa a assumir um papel que vai muito além do futebol. A cidade, que receberá sete partidas do torneio, já vive a expectativa de receber milhões de visitantes e a atenção da mídia internacional. Nesse cenário, uma iniciativa brasileira encontrou o momento ideal para ocupar espaços públicos e ampliar sua mensagem.

A Jaguar Parade Miami 2026 acaba de transformar ruas, praças e áreas estratégicas da cidade em uma grande galeria a céu aberto. A exposição reúne 11 esculturas monumentais de onças-pintadas criadas por artistas brasileiros, utilizando a arte urbana para conectar cultura, biodiversidade e conservação ambiental.

O projeto leva para os Estados Unidos um dos maiores símbolos da fauna brasileira e aproveita um dos períodos de maior visibilidade internacional da história recente da cidade.

Brasil encontra vitrine global fora dos estádios

A escolha de Miami não aconteceu por acaso.

Com a Copa do Mundo colocando a cidade entre os destinos mais observados do planeta ao longo de 2026, a Jaguar Parade passa a dialogar diretamente com um público internacional formado por turistas, jornalistas, investidores e moradores de diferentes nacionalidades.

A iniciativa foi idealizada pela Artery e conta com apoio do Ministério da Cultura do Brasil, por meio da Lei Rouanet, além da participação de patrocinadores e instituições ligadas à promoção cultural e ambiental.

Para Carol Barreto, CEO da Artery, a força do projeto está na capacidade da arte pública de provocar reflexão em ambientes cotidianos.

“A arte pública tem o poder de interromper a rotina das pessoas e criar uma conexão emocional. E essa conexão pode abrir espaço para conversas importantes sobre conservação, biodiversidade e nossa relação com o meio ambiente”, afirma.

Cada onça conta uma história diferente

As esculturas funcionam como uma seleção brasileira da biodiversidade.

Cada artista desenvolveu uma interpretação própria da onça-pintada, transformando o animal em uma plataforma de expressão artística e reflexão ambiental.

Entre os participantes estão nomes como Fabiano Senk, Gus Attab, Laila Mackenzie, Busy, Guilherme Kramer, Kássia Borges, Lettice, Vinicius Zoia, Sophie Reiterman, Cíntia Abravanel, além da dupla Livia Mourão e Rui Machado.

As obras exploram diferentes temas ligados à natureza, ancestralidade, preservação ambiental e convivência entre seres humanos e ecossistemas.

Um dos destaques da programação será a intervenção ao vivo do artista paulistano Fabiano Senk, reconhecido por sua estética urbana marcada por cores vibrantes e forte identidade visual.

Onçafari transforma arte em ferramenta de conservação

A edição de Miami também celebra os 15 anos do Onçafari, organização brasileira que se tornou referência internacional na conservação da onça-pintada.

Atualmente, a instituição atua em 23 bases distribuídas por nove estados brasileiros, gerenciando diretamente mais de 125 mil hectares e influenciando iniciativas em mais de 2 milhões de hectares de áreas protegidas.

Segundo Mario Haberfeld, fundador do Onçafari, a exposição amplia a visibilidade internacional do trabalho realizado pela entidade.

“Participar do Jaguar Parade é um grande marco para o Onçafari. É uma oportunidade poderosa para expandir nossa presença internacional e compartilhar o trabalho que fazemos no Brasil e na América Latina”, destaca.

Ao término da exposição, o lucro líquido obtido com o leilão das esculturas será integralmente destinado aos projetos futuros da organização.

Movimento já alcançou milhões de pessoas

Miami representa mais um capítulo de uma iniciativa que vem ganhando escala internacional.

A Jaguar Parade já realizou edições em cidades como Nova York, Paris, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Florianópolis.

Ao longo de sua trajetória, o projeto reuniu mais de 225 artistas, alcançou mais de 30 milhões de pessoas presencialmente e ultrapassou 336 milhões de visualizações em meios digitais e na imprensa.

O impacto gerado também resultou em aproximadamente R$ 77 milhões em mídia espontânea global.

Agora, com a atenção internacional concentrada na América do Norte, a exposição encontra uma oportunidade ainda maior para ampliar sua mensagem.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

A Jaguar Parade mostra como arte pública, turismo e sustentabilidade podem atuar de forma integrada na promoção de destinos e causas ambientais.

O projeto aproveita um dos maiores eventos globais para inserir o Brasil em uma conversa que vai além do esporte, utilizando cultura e biodiversidade como ferramentas de posicionamento internacional.

Outro aspecto relevante é a transformação do espaço urbano em experiência turística. Instalações artísticas de grande escala vêm se tornando importantes atrativos para visitantes em cidades que buscam ampliar sua oferta cultural.

Para o turismo brasileiro, a exposição reforça uma narrativa cada vez mais valorizada no mercado internacional: a associação entre criatividade, patrimônio natural e conservação ambiental.

Enquanto milhões de pessoas acompanham a Copa do Mundo em Miami, a Jaguar Parade lembra que o Brasil também pode chamar atenção por aquilo que protege, cria e compartilha com o mundo.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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