Isabella Ricci defende inovação a partir da identidade dos destinos na Travel Next Minas

Foto: Patricia Penna

 

A capacidade de transformar identidade, patrimônio e características locais em produtos turísticos foi o eixo da palestra da turismóloga Isabella Ricci na Travel Next Minas, em Belo Horizonte. Ao apresentar Park City, em Utah, nos Estados Unidos, como estudo de caso, ela mostrou como um destino pode ampliar sua economia turística sem abandonar as referências que fazem parte de sua história.

Park City, conhecida internacionalmente pelo turismo de neve, construiu parte de sua identidade a partir da antiga atividade de mineração de prata. Para Isabella, o caso demonstra que patrimônio e inovação podem trabalhar juntos na criação de novos atrativos e experiências.

“A neve é somente a camada visível, mas há muito mais para se ver e aproveitar no destino que soube criar identidade e transformar seu legado em atrativo turístico”, ressaltou.

A palestrante também chamou atenção para o papel da comunidade nesse processo. Segundo Isabella, moradores, empresários e poder público precisam participar da construção do posicionamento turístico, já que a experiência oferecida ao visitante depende da vitalidade do próprio território.

O novo significado do luxo

Outro ponto central da apresentação foi a mudança no conceito de luxo. Para Isabella, o segmento está cada vez menos relacionado à ostentação e mais à qualidade do cuidado e da experiência.

“O luxo não acaba na porta do hotel e a excelência está no cuidado e não no excesso. Territórios com vida não são fabricados, eles são sustentados por um ecossistema.”

A discussão teve continuidade em painel com Diana Carvalho, CEO do Grupo Mundo4e, consultora e curadora de viagens de alto padrão, e Gabriela Arruda, agente de viagens especializada em luxo e cofundadora da Integração Trade. As profissionais abordaram o comportamento do viajante de alto padrão e a crescente valorização de experiências autênticas e personalizadas, além da atuação do agente como curador dessas vivências.

Um desafio para os destinos brasileiros

Ao levar a discussão para o Brasil, Isabella defendeu que cada território precisa reconhecer seus atributos próprios antes de transformá-los em produtos turísticos.

“O Brasil é um país imenso e diverso, então é preciso que cada território reflita sobre o que é único, com a responsabilidade de inovar e transformar esses atributos em produtos comercializáveis.”

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A palestra de Isabella Ricci coloca uma questão estratégica para destinos que buscam crescer sem depender apenas de atrativos já conhecidos: o produto turístico pode nascer da própria identidade do território.

O exemplo de Park City mostra que história, cultura e patrimônio podem ganhar novas funções dentro da economia do turismo. Para o Brasil, a provocação está em sair da lógica de simplesmente divulgar atributos e avançar para a transformação desses elementos em experiências que possam ser efetivamente comercializadas.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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