Muito além da neve: lagos revelam outro lado do inverno em Bariloche

Foto: Emprotur Bariloche

Quando se fala em inverno em Bariloche, a imagem mais comum continua sendo a das montanhas cobertas de neve e das pistas de esqui. Mas o destino argentino vem ampliando sua oferta turística ao destacar outro patrimônio natural que ganha protagonismo durante a temporada: os lagos e rios da Patagônia.

Enquanto a neve continua sendo o principal motivo da viagem, experiências ligadas ao Lago Nahuel Huapi e a outros espelhos d’água da região vêm conquistando espaço entre visitantes que buscam uma programação mais diversificada. Navegações, gastronomia, contemplação da natureza e passeios exclusivos complementam os tradicionais roteiros de inverno e ampliam o tempo de permanência dos turistas no destino.

Lagos revelam outro cenário da Patagônia

Espalhados entre a Cordilheira dos Andes e as florestas andinas, os lagos formam uma paisagem que contrasta com o branco da neve durante o inverno.

A água proveniente do degelo das montanhas alimenta rios e lagos cristalinos, criando cenários que reúnem diferentes manifestações da natureza em uma mesma viagem.

Segundo o Emprotur Bariloche, cresce a procura por atividades que vão além do esqui e do snowboard, especialmente entre famílias, casais e grupos interessados em experiências mais contemplativas.

Para Eric Guzmán, presidente do Emprotur Bariloche, os lagos fazem parte da identidade do destino.

“Os lagos são parte essencial da identidade de Bariloche. Durante o inverno, eles oferecem uma perspectiva diferente da Patagônia, com paisagens e experiências que unem natureza, tranquilidade e exclusividade.”

Navegações ampliam oferta turística

Entre as atividades mais procuradas está a navegação pelo Lago Nahuel Huapi, considerada uma das principais formas de conhecer a paisagem da região.

Os passeios permitem observar a Cordilheira dos Andes, bosques nativos e ilhas distribuídas pelo lago, oferecendo uma perspectiva diferente das montanhas cobertas de neve.

Um dos roteiros mais tradicionais leva os visitantes até a Isla Victoria e o Bosque de Arrayanes, floresta conhecida pelos troncos de coloração canela que contrastam com a paisagem branca do inverno.

Outra opção bastante procurada é a navegação até Puerto Blest e a Cascada de los Cántaros, combinada com o percurso pelo Lago Frías, cujas águas esverdeadas refletem os minerais transportados pelos glaciares da região.

Para quem busca roteiros menos conhecidos, o Brazo Tristeza oferece acesso a áreas praticamente preservadas do Parque Nacional Nahuel Huapi.

Já os viajantes que procuram experiências exclusivas encontram passeios em veleiros privados, combinando conforto, privacidade e vistas privilegiadas da paisagem patagônica.

Turismo diversifica programação além da neve

A ampliação dessas experiências acompanha uma mudança no perfil dos visitantes.

Cada vez mais turistas distribuem os dias de viagem entre esportes de inverno, gastronomia, cervejarias artesanais, bem-estar e atividades ligadas à natureza.

Segundo Guzmán, essa tendência fortalece o posicionamento do destino.

“A tendência acompanha uma mudança no perfil do viajante, que busca destinos capazes de oferecer diferentes formas de aproveitar a temporada de inverno. Em Bariloche, os lagos cumprem esse papel ao proporcionar momentos de desaceleração e contato profundo com a natureza.”

Mais voos ampliam presença de brasileiros

A temporada de inverno de 2026 também será marcada pelo aumento da conectividade aérea entre Brasil e Bariloche.

O destino contará com voos diretos partindo de São Paulo (Guarulhos e Campinas), Belo Horizonte e Porto Alegre, somando mais de 30 frequências semanais operadas por companhias como LATAM, Azul, GOL e Aerolíneas Argentinas.

O reforço da malha aérea deve impulsionar ainda mais o fluxo de brasileiros, que já figuram entre os principais mercados emissores internacionais para Bariloche.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

Bariloche vive um movimento semelhante ao observado em outros destinos de neve internacionais: ampliar sua oferta para além das pistas de esqui. A estratégia reduz a dependência dos esportes de inverno e amplia o alcance do destino junto a famílias, casais e viajantes que buscam experiências mais diversificadas.

Ao valorizar os lagos, a gastronomia e o turismo contemplativo, Bariloche fortalece um modelo de viagem mais completo e aumenta o potencial de permanência dos visitantes. A expansão da conectividade aérea com o Brasil reforça essa estratégia e deve consolidar o mercado brasileiro como um dos principais emissores para a temporada de inverno nos Andes.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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