Marcus Januario Foto: Patricia Penna
Circuito leva à Travel Next Minas roteiros de natureza, fé, patrimônio e gastronomia e aposta na conexão entre municípios para ampliar negócios com o trade
A Trilha dos Inconfidentes quer mudar a forma como sua região é apresentada ao mercado. Em vez de trabalhar cada município de maneira isolada, o Circuito reúne 26 cidades em uma oferta integrada, organizada em roteiros que combinam gastronomia, natureza, patrimônio e turismo de fé.
A estratégia foi levada à Travel Next Minas pelo gestor do Circuito, Marcus Januário, que aproveitou a feira para apresentar aos agentes e operadores um conjunto de produtos já estruturados e outros em processo de fortalecimento comercial.
A proposta ganha relevância pela diversidade existente em uma mesma área geográfica. A região reúne cidades históricas, cachoeiras, caminhos de peregrinação, produção gastronômica e tradições que podem ser combinadas em viagens de diferentes perfis. A Trilha dos Inconfidentes integra a região da Estrada Real e trabalha a conexão entre esses territórios como uma forma de ampliar a permanência e as possibilidades de consumo turístico.
“O nosso projeto é uma junção de 26 cidades com experiências gastronômicas, de turismo de natureza, patrimônio e fé. São quatro grandes roteiros que a gente vem trabalhando”, explica Januário.
Caminhos de São Tiago ganham espaço
Entre os produtos apresentados está o Caminhos de São Tiago, roteiro inspirado nos caminhos de peregrinação europeus e estruturado em Minas com aproximadamente 270 quilômetros. O percurso pode ser realizado a pé e também é utilizado por ciclistas, cavaleiros e outros viajantes.
O roteiro conecta municípios e cria uma experiência que ultrapassa o deslocamento entre pontos turísticos. História, paisagem rural, religiosidade e cultura local fazem parte do percurso, transformando o caminho em um produto com potencial para diferentes públicos.
A integração com a Estrada Real é outro elemento estratégico. Segundo Januário, os dois caminhos da Estrada Real que atravessam a região ajudam a conectar os municípios e facilitam a construção de roteiros combinados.
Essa lógica permite ao trade trabalhar a região como circuito, e não apenas como uma sequência de destinos independentes.
Gastronomia como produto turístico
A gastronomia aparece como uma das principais ferramentas dessa estratégia. Durante a feira, a Trilha dos Inconfidentes apresentou produtos associados a diferentes municípios, entre eles os biscoitos de São Tiago, o rocambole de Lagoa Dourada e a produção de queijos de cidades da região.
São Tiago, conhecida pela tradição do café com biscoito, será novamente palco da Festa do Café com Biscoito em setembro. A programação movimenta uma cadeia produtiva que reúne mais de 40 fábricas de biscoitos no município.
A região também apresenta a Rota do Queijo, estruturada com 37 experiências gastronômicas relacionadas ao queijo Minas Artesanal. O produto amplia a possibilidade de transformar a gastronomia em motivo principal de viagem, e não apenas em complemento de um roteiro histórico ou de natureza.
Para o Circuito, esse é um dos caminhos para criar produtos com identidade própria e distribuir os visitantes por diferentes municípios.
Natureza, patrimônio e fé no mesmo território
A variedade de experiências também aparece no turismo de natureza. Carrancas e Santa Bárbara do Tugúrio, por exemplo, são apresentadas pelo Circuito como destinos com ampla oferta de cachoeiras preparadas para visitação e banho.
Em outra frente, São João del-Rei concentra patrimônio histórico e manifestações de religiosidade que ajudam a compor os roteiros culturais da região.
A combinação desses elementos permite ao agente montar viagens com perfis distintos sem precisar trabalhar com destinos geograficamente desconectados. O visitante pode reunir patrimônio, gastronomia, natureza e fé em uma mesma viagem, dependendo do tempo disponível e do interesse do grupo.
A aproximação com o trade é prioridade
A presença na Travel Next Minas tem justamente esse objetivo: fazer com que agentes e operadores conheçam uma oferta que, apesar da proximidade com Belo Horizonte, ainda pode ser pouco explorada comercialmente fora dos destinos mais conhecidos.
A infraestrutura de acesso também é apresentada como um argumento. A região conta com o Aeroporto de São João del-Rei, que possui voos regulares aos finais de semana, além da conexão rodoviária com diferentes áreas de Minas Gerais.
“A gente está trazendo as cidades para que elas aproveitem cada vez mais o contato com as agências, para que conheçam essa potencialidade que Minas Gerais tem e a nossa região”, afirma Januário.
Para o gestor, a intenção é mostrar ao mercado uma região preparada para receber diferentes perfis de visitantes, com oferta de hotelaria e gastronomia capaz de sustentar a expansão dos roteiros.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
A principal estratégia da Trilha dos Inconfidentes está menos na promoção de um novo destino e mais na transformação de uma região em produto comercial.
Esse movimento é importante porque Minas Gerais possui uma oferta turística extremamente pulverizada. Quando cada cidade é apresentada separadamente, o agente precisa montar sozinho as conexões. Ao estruturar caminhos e rotas temáticas, a região passa a entregar uma lógica de viagem pronta para ser adaptada ao perfil do cliente.
A gastronomia é particularmente promissora nesse modelo. Queijos, biscoitos, rocambole e outros produtos regionais funcionam como elementos de identidade e podem gerar deslocamentos específicos, enquanto patrimônio, fé e natureza ampliam a permanência.
Para operadores e agências, o ganho está na possibilidade de criar circuitos com diferentes durações e motivações. Para os municípios, a integração reduz a dependência de poucos destinos de maior reconhecimento e distribui o movimento turístico por um território mais amplo.
O desafio agora é transformar essa oferta estruturada em produto efetivamente comercializado pelo trade, com roteiros, tarifas, logística e calendário suficientemente claros para facilitar a venda. A Travel Next Minas cumpre, nesse processo, uma função estratégica: colocar diante de quem vende viagens uma região que já tem produto, mas ainda possui espaço considerável para ampliar sua presença no mercado.

