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Depois de uma temporada marcada por retração de capacidade, a indústria de cruzeiros volta a acelerar operações na costa brasileira. A CLIA Brasil divulgou as projeções para a temporada 2026/2027 com aumento de cerca de 24% na oferta de leitos e ampliação da presença de navios no país.
A nova temporada começa em 31 de outubro de 2026 e seguirá até 9 de abril de 2027. O ciclo terá oito navios operando no Brasil, um a mais em relação à temporada anterior, totalizando 831.254 leitos disponíveis.
O crescimento acontece após uma temporada 2025/2026 mais enxuta, marcada por redução de aproximadamente 20% na capacidade, reflexo de ajustes operacionais globais e da redistribuição internacional das frotas.
Agora, o cenário volta a mudar.
Oferta cresce após retração e amplia presença das companhias
A temporada 2026/2027 terá operações do Costa Diadema, Costa Serena, MSC Virtuosa, MSC Splendida, MSC Divina, MSC Musica, MSC Seaview e do Corazul Buenavista.
Além do aumento de navios, o número de roteiros passará de 160 para 190, enquanto as escalas subirão de 617 para 675.
Os embarques e desembarques acontecerão em Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá, que retorna à operação da temporada.
Os itinerários incluem destinos como Angra dos Reis, Búzios, Ilhabela, Ilha Grande, Porto Belo, Recife e conexões internacionais com Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.
Reorganização global favorece América do Sul
Parte da recuperação da oferta acontece em meio aos rearranjos da indústria marítima internacional.
Mudanças geopolíticas globais, alterações operacionais em outras regiões e redistribuição de capacidade ajudaram a ampliar novamente a presença de navios na América do Sul.
Ainda assim, a própria CLIA reconhece que o crescimento não elimina gargalos históricos da região.
Infraestrutura portuária, custos operacionais, carga tributária e questões regulatórias continuam sendo fatores que limitam competitividade do Brasil frente a outros mercados internacionais.
Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA Brasil, afirma que a nova temporada representa um movimento importante de recomposição da oferta.
“A temporada 2026/2027 representa um movimento de recuperação da oferta após um período de retração. Esse cenário reforça o interesse das companhias e o potencial do Brasil, ao mesmo tempo em que evidencia a importância de avançar em condições que tornem o país mais competitivo”, destaca o executivo.
Brasil tenta recuperar relevância dentro da indústria marítima
Mesmo com o crescimento previsto, a América do Sul ainda ocupa participação pequena dentro da indústria global de cruzeiros.
Enquanto Caribe, Mediterrâneo e América do Norte concentram grande parte da frota mundial, o Brasil segue operando com forte sazonalidade e limitações estruturais.
Por outro lado, o mercado continua demonstrando capacidade de demanda.
A temporada 2025/2026, mesmo menor, realizou mais de 160 roteiros e manteve atividade relevante para destinos turísticos e economias locais.
Os dados oficiais de impacto econômico, geração de empregos e movimentação de passageiros serão divulgados em agosto, durante o 8º Fórum CLIA Brasil 2026.
Leitura do Mercado | Turismo&Eventos
A nova temporada mostra que a indústria de cruzeiros voltou a enxergar potencial de crescimento na costa brasileira.
O aumento de 24% na oferta de leitos representa uma recuperação importante depois de anos marcados por instabilidade operacional e redução de capacidade.
Mas o movimento também deixa outro recado claro para o setor público e para os destinos turísticos: a retomada não garante crescimento sustentável sozinho.
Sem melhorias estruturais, redução de custos operacionais e maior competitividade portuária, o Brasil continuará disputando espaço limitado dentro do planejamento global das grandes companhias marítimas.

