México acelera turismo com salto de 460% no visto eletrônico para brasileiros

Miguel Aguíñiga e Cláudia Velasco, foto Rafael Destro.

O México resolveu atacar um dos maiores gargalos da venda internacional no Brasil. A burocracia.

Em pouco mais de dois meses, o país aprovou cerca de 12 mil vistos eletrônicos para brasileiros. O número representa um salto de 460% nas emissões desde a implementação do sistema, iniciada em 5 de fevereiro.

Os dados foram apresentados durante a WTM Latin America 2026, realizada no Expo Center Norte. O anúncio não veio isolado. Ele faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento no mercado brasileiro.

Visto eletrônico muda dinâmica de venda no Brasil

Miguel Aguíñiga, responsável pela área de inovação e profissionalização turística, atribui o avanço diretamente à simplificação do processo. O Brasil, hoje, é o único país autorizado a emitir o visto eletrônico mexicano.

A medida reduz etapas, elimina a necessidade de ida ao consulado e encurta o tempo de decisão de compra.

Claudia Velasco, cônsul-geral do México em São Paulo, reforçou que o consulado segue ativo apenas para casos específicos. Viagens acima de seis meses ainda exigem atendimento presencial.

O efeito prático já aparece no volume. O visto deixa de ser barreira e passa a ser ferramenta de estímulo.

Brasil sobe no radar e mira top 5 entre emissores

O comportamento do brasileiro no destino também ajuda a explicar o movimento.

Hoje, 52% dos viajantes desembarcam em Cancún e na Riviera Maya. Os outros 48% se distribuem entre Cidade do México, Monterrey e Guadalajara.

O país recebeu 47,7 milhões de turistas internacionais em 2025. O Brasil aparece hoje como oitavo maior emissor.

A meta é clara. Entrar no top 5 já em 2026. O visto eletrônico funciona como alavanca direta para esse salto.

Conectividade aérea vira próximo gargalo

A aceleração da demanda já pressiona a malha aérea.

Segundo Aguíñiga, se os 12 mil vistos emitidos se converterem em viagens, será necessário adicionar entre 15 e 20 voos para absorver o fluxo.

A pauta já entrou na agenda com a Embratur e com o Ministério do Turismo do Brasil.

O objetivo é ampliar frequências e preparar o mercado para 2027. Companhias aéreas operam com planejamento de longo prazo. Sem oferta, o crescimento trava.

Calendário internacional reforça estratégia

O México conecta a expansão a eventos globais.

O país será uma das sedes da Copa do Mundo FIFA 2026. Existe inclusive a possibilidade de jogos da seleção brasileira em Guadalajara, dependendo do desempenho no torneio.

Além disso, o país articula protagonismo em feiras. O Brasil deve participar da ITB Americas 2026, também em Guadalajara.

E já existe um movimento mais estratégico. O México oficializou a intenção de ter o Brasil como país convidado do Tianguis Turístico 2027.

Não é apenas promoção. É construção de fluxo bilateral.

O salto nos vistos não é estatística isolada. Ele mostra que, quando a barreira cai, a demanda responde rápido.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

O México acerta ao remover o principal atrito da jornada de compra. O visto eletrônico reduz fricção e acelera conversão.

A resposta imediata de 460% indica demanda reprimida no mercado brasileiro.

O próximo ponto crítico é a conectividade. Sem aumento de voos, o crescimento encontra limite operacional.

Para destinos concorrentes, o movimento pressiona. Países que mantêm processos mais complexos tendem a perder competitividade no curto prazo.

O jogo mudou no acesso. Agora, a disputa passa pela capacidade de absorver a demanda.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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