São Paulo lidera ranking da ICCA e amplia pressão sobre destinos brasileiros no turismo de eventos

Toni Sando, CEO do Visite São Paulo Convention Bureau (VSPCB) – (Divulgação)

Capital paulista supera cidades globais e consolida força internacional no mercado de congressos e convenções

São Paulo voltou ao topo do turismo de eventos no Brasil. A capital paulista apareceu como o principal destino brasileiro no ranking ICCA 2025, divulgado nesta terça-feira (19), consolidando uma posição que vai além da liderança nacional e aumenta sua presença no circuito global de eventos internacionais associativos.

Com 65 eventos cadastrados no período, São Paulo ocupa a 35ª posição mundial e a 5ª colocação nas Américas, superando destinos como Nova Iorque, Xangai e Abu Dhabi no levantamento da International Congress & Convention Association (ICCA), principal entidade global do setor.

O dado chama atenção porque o ranking da ICCA trabalha um recorte altamente qualificado do mercado MICE. Entram apenas eventos internacionais associativos, rotativos, realizados em pelo menos três países diferentes e com mínimo de 50 participantes estrangeiros.

Ou seja: não é volume genérico. É turismo de eventos com capacidade real de movimentação econômica, networking internacional e geração de fluxo corporativo qualificado.

São Paulo amplia vantagem no turismo de negócios

O desempenho reforça uma característica que São Paulo vem consolidando nos últimos anos: a capacidade de integrar infraestrutura, hotelaria, gastronomia, conectividade aérea e experiência urbana em uma mesma entrega para o visitante corporativo.

Segundo Toni Sando, CEO do Visite São Paulo Convention Bureau (VSPCB), o trabalho de captação e monitoramento dos eventos internacionais faz parte de uma estratégia contínua da entidade.

“Eventos de perfil ICCA representam um recorte importante do setor”, afirmou.

Ele também destacou o trabalho técnico realizado pela área de pesquisa do VSPCB, responsável pelo cadastro e monitoramento do calendário internacional de eventos.

A fala revela um bastidor importante do mercado de eventos: rankings como o da ICCA não dependem apenas da realização dos congressos. Existe um trabalho técnico permanente de pesquisa, validação e registro internacional dos eventos realizados nos destinos.

Resultado fortalece posição do Brasil nas Américas

Os números de São Paulo também tiveram impacto direto no posicionamento brasileiro no ranking global.

Com apoio da Embratur, da Unedestinos e dos Convention Bureaux associados, o Brasil alcançou a 13ª posição mundial e o 3º lugar nas Américas, atrás apenas de Estados Unidos e Canadá.

O avanço mostra uma reorganização mais profissional do turismo de eventos brasileiro no cenário internacional.

Nos últimos anos, destinos brasileiros passaram a entender que captação internacional exige inteligência comercial, relacionamento associativo e presença contínua em entidades globais do setor.

Cultura, gastronomia e experiência urbana entram no pacote

O movimento de São Paulo também chama atenção por outro fator: a cidade deixou de depender apenas do turismo corporativo tradicional.

Outros rankings internacionais divulgados em 2026 colocaram a capital paulista em posições relevantes nos setores de cultura, gastronomia e qualidade de vida.

A cidade apareceu como melhor destino brasileiro para negócios e gastronomia na premiação “O Melhor do Turismo Brasileiro”, do jornal O Estado de S. Paulo. O reconhecimento ganhou peso extra após São Paulo reunir, pela primeira vez, dois restaurantes com três estrelas Michelin.

Na área cultural, São Paulo apareceu em 7º lugar entre as melhores cidades do mundo para arte e cultura em ranking da Time Out, sendo a única brasileira presente na lista.

Já no Happy City Index 2026, a capital paulista foi apontada como a cidade latino-americana mais bem posicionada no levantamento.

O conjunto desses indicadores fortalece uma transformação importante: São Paulo passa a vender não apenas estrutura para eventos, mas experiência urbana completa.

Turismo de eventos muda de perfil

A leitura mais estratégica do ranking ICCA está justamente nessa mudança de percepção.

Durante anos, o turismo de negócios foi tratado apenas como operação logística: centro de convenções, hotel e aeroporto.

Hoje, o visitante corporativo busca algo maior:
• gastronomia
• cultura
• entretenimento
• mobilidade
• experiências urbanas
• permanência estendida

São Paulo cresce exatamente nesse cruzamento.

A cidade consegue operar grandes eventos internacionais enquanto entrega consumo, vida noturna, arte, compras e diversidade cultural em escala difícil de replicar na América Latina.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

O ranking da ICCA mostra que São Paulo não compete mais apenas com destinos nacionais no turismo de eventos.

A capital passou a disputar espaço diretamente com cidades globais que tradicionalmente lideram o circuito internacional de congressos e convenções.

O avanço também aumenta a pressão sobre outros destinos brasileiros que tentam crescer no segmento MICE sem a mesma estrutura integrada de conectividade, hotelaria, gastronomia e experiência urbana.

Mais do que quantidade de eventos, São Paulo começa a consolidar um posicionamento internacional de cidade multifuncional para negócios, cultura e experiência corporativa.

Autor

  • Marcos Arruda

    Marcos Arruda atua no turismo desde 1997 e é jornalista formado em 2011. É editor e fundador do Turismo&Eventos, veículo multiplataforma voltado ao trade turístico nacional e internacional.
    Com base em São Paulo, acompanha de perto os movimentos do setor, com cobertura de destinos, companhias aéreas, hotelaria e eventos no Brasil e no exterior. Sua atuação é marcada por análise de mercado, leitura estratégica e produção de conteúdo voltado à tomada de decisão no turismo.

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