Evento abre espaço para produção cultural na dinâmica do turismo (Foto Jean Pavao)
A inclusão da economia criativa no Festival Internacional de Turismo Cataratas amplia o escopo do evento e reposiciona parte da experiência oferecida ao visitante profissional. A edição de 2026 abre espaço para artesãos de Brasil, Paraguai e Argentina, inserindo o artesanato regional dentro de uma feira tradicionalmente voltada ao trade turístico.
A iniciativa parte do IDESTUR, que lançou edital para selecionar até 15 artesãos. O objetivo é levar ao evento peças que representem identidade cultural e produção autoral da região trinacional.
FIT Cataratas incorpora economia criativa como parte da experiência do evento
A presença de artesãos no FIT Cataratas não é inédita, mas ganha nova relevância ao ser estruturada por meio de edital e critérios definidos. A curadoria avaliará autoria exclusiva, identidade cultural, qualidade técnica e originalidade, restringindo a participação a produtos que representem efetivamente a produção local.
A medida evita a presença de itens genéricos ou industrializados e direciona o espaço para produção autoral. Com isso, o evento passa a trabalhar não apenas como ambiente de negócios, mas também como vitrine de conteúdo cultural aplicado ao turismo.
Segundo Paulo Angeli, a proposta está alinhada ao histórico do evento.
“Queremos mostrar a nossa cultura para o setor do turismo, apresentar o nosso artesanato e permitir que os visitantes conheçam de perto essa riqueza local”, afirma.
Curadoria define padrão e limita participação
O modelo adotado restringe o número de participantes a 15 expositores, o que indica uma seleção mais controlada e foco em qualidade. A limitação de vagas aumenta a responsabilidade sobre a curadoria e o posicionamento do espaço dentro da feira.
Os selecionados terão acesso a um público qualificado, composto por agentes, operadores e profissionais do turismo. Ao mesmo tempo, assumem custos de participação, incluindo deslocamento, hospedagem e logística de vendas, além da obrigatoriedade de presença durante todo o evento.
Esse formato aproxima o artesanato de uma lógica profissional de exposição, exigindo preparo e capacidade de operação por parte dos participantes.
Integração regional amplia narrativa do destino
A participação de artesãos dos três países da região reforça a construção de uma identidade trinacional, característica central de Foz do Iguaçu e seu entorno.
Essa integração amplia a narrativa do destino para além das Cataratas do Iguaçu e inclui elementos culturais que podem ser incorporados à experiência turística.
Para o visitante profissional, isso abre novas possibilidades de construção de produto, especialmente em roteiros que valorizam autenticidade e contato com a cultura local.
A presença organizada do artesanato dentro da feira cria um ponto de conexão direto entre produção local e cadeia de distribuição do turismo, sem intermediação genérica.
Leitura do Mercado | Turismo&Eventos
A decisão de estruturar a participação de artesãos dentro do FIT Cataratas indica uma mudança prática no papel das feiras de turismo. O evento deixa de ser apenas espaço de negociação e passa a incorporar elementos que ajudam a compor produto.
Para o trade, isso tem aplicação direta. Experiências baseadas em identidade local ganham mais espaço na construção de roteiros, especialmente em destinos que já possuem forte fluxo consolidado.
O ponto crítico está na execução. A curadoria precisa manter consistência para que o espaço não perca valor e se transforme em área genérica dentro da feira. Quando bem conduzido, esse modelo amplia o portfólio comercial disponível para operadores e agentes.

