Rabat ganha projeção internacional e entra no radar dos viajantes para 2027

Foto: via assessoria

Capital do Marrocos integra a seleção Best in Travel 2027, da Lonely Planet, e tem bairro eleito um dos mais interessantes do mundo pela Time Out. Voos diretos para Casablanca facilitam o acesso de brasileiros.

Rabat reúne em uma mesma viagem a herança histórica do Marrocos, a arte contemporânea, os cafés de bairro e a paisagem do Atlântico. Essa combinação ajuda a explicar a projeção internacional que a capital marroquina vem conquistando e que a coloca entre os destinos a considerar no planejamento das viagens de 2027.

A cidade foi incluída na seleção Best in Travel 2027, da Lonely Planet, publicação que reúne destinos e experiências recomendados para o ano seguinte. Outro reconhecimento veio da revista Time Out, que elegeu L’Océan, bairro de Rabat, como o segundo mais cool do mundo em 2026. Os dois destaques colocam em evidência uma capital que vai além dos monumentos históricos e oferece ao visitante diferentes formas de conhecer a cultura marroquina.

Para os brasileiros, a viagem pode começar por Casablanca, que recebe voos diretos de São Paulo operados pela Royal Air Maroc. A partir dali, cerca de 90 quilômetros separam o aeroporto e a cidade de Rabat, permitindo combinar os dois destinos no mesmo roteiro.

L’Océan revela uma Rabat contemporânea

O bairro L’Océan ajuda a compreender a diversidade da capital marroquina. A região combina ruas residenciais, cafés, comércio independente, espaços esportivos e proximidade com o mar. A proposta é menos ligada aos circuitos monumentais tradicionais e mais conectada à rotina dos moradores, à convivência urbana e à produção cultural local.

Um trecho da Rue Bruxelles foi destinado aos pedestres, com cafés e espaços culturais que contribuem para a renovação da área. Na orla, as possibilidades incluem caminhadas e atividades relacionadas ao mar, como surfe e caiaque.

Na classificação da Time Out, L’Océan ficou atrás apenas de Jongno 3-ga, em Seul, e à frente de Neos Kosmos, em Atenas. A seleção considera aspectos como gastronomia, vida noturna, negócios independentes e vida comunitária, valorizando bairros cuja identidade se manifesta na experiência cotidiana.

O reconhecimento oferece uma perspectiva diferente sobre Rabat: além de visitar seus principais pontos turísticos, o viajante encontra espaços para explorar sem pressa, observar a vida local e descobrir restaurantes, cafés e pequenos negócios.

Patrimônio histórico diante do Atlântico

A dimensão histórica da capital aparece em diferentes pontos da cidade. A Torre Hassan, o Mausoléu de Mohammed V e o sítio arqueológico de Chellah estão entre as referências para quem deseja conhecer a trajetória política, cultural e arquitetônica do Marrocos.

Na Kasbah des Oudaïas, conhecida também como Oudayas, as casas em tons de azul e branco, os jardins e as vistas para o oceano criam um dos cenários mais característicos de Rabat. A visita pode incluir uma pausa para chá de menta e doces tradicionais, uma forma de aproximar o passeio dos costumes locais.

Do outro lado do rio Bouregreg, Salé amplia as possibilidades do roteiro. A marina reúne embarcações, restaurantes e espaços para passeios à beira d’água. A travessia em uma flouka, embarcação tradicional, também pode fazer parte da experiência entre as duas margens.

Para quem se interessa por arte e arquitetura contemporâneas, o Museu Mohammed VI de Arte Moderna e Contemporânea e o Teatro Real de Rabat ajudam a revelar outra faceta da capital. A programação cultural, que inclui eventos como o festival Mawazine e o Jazz au Chellah, também pode influenciar a escolha das datas da viagem.

Rabat foi designada Capital Mundial do Livro de 2026 pela Unesco, reconhecimento que reforça sua presença no cenário cultural internacional.

Onde ficar e como aproveitar a cidade

A oferta de hospedagem permite diferentes formas de vivenciar a capital. Há hotéis de luxo, riads instalados em construções tradicionais e opções próximas à orla. A escolha pode influenciar o ritmo da estadia: ficar na medina aproxima o visitante dos mercados e da arquitetura histórica, enquanto as áreas próximas ao Atlântico favorecem uma experiência ligada à paisagem costeira.

O transporte urbano, incluindo o VLT, conhecido localmente como tramway, contribui para os deslocamentos pela cidade. Com atrações históricas, museus, restaurantes e bairros com identidades distintas, Rabat permite organizar uma programação que combine visitas culturais e períodos livres para explorar o destino.

O futebol também acrescenta uma nova dimensão à projeção internacional da capital. Rabat está entre as cidades marroquinas previstas para receber partidas da Copa do Mundo de 2030, que será organizada por Marrocos, Portugal e Espanha. O estádio Príncipe Moulay Abdellah recebeu a final da Copa Africana de Nações em janeiro de 2026, reforçando a presença da cidade no calendário esportivo internacional.

Como chegar a Rabat saindo do Brasil

A Royal Air Maroc opera voos diretos entre São Paulo e Casablanca, utilizando aeronaves Boeing 787 Dreamliner. Segundo a companhia, a rota passará a contar com cinco frequências semanais a partir de 28 de outubro de 2026.

De Casablanca, o percurso até Rabat pode ser feito por rodovia ou trem, com serviços regulares entre as cidades. A distância relativamente curta permite incluir a capital no mesmo itinerário de quem chega ao Marrocos por Casablanca, sem a necessidade de organizar uma viagem aérea adicional.

A combinação de patrimônio histórico, vida cultural, bairros criativos e paisagens atlânticas ajuda a posicionar Rabat como uma alternativa para quem deseja conhecer um Marrocos além dos circuitos mais tradicionais. Os reconhecimentos internacionais ampliam sua visibilidade, mas é a diversidade de experiências que pode transformar a capital em uma parada importante nas viagens de 2027.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

O destaque de Rabat em rankings internacionais amplia a oportunidade de diversificar a oferta de viagens ao Marrocos, tradicionalmente associada a destinos como Marrakech e Casablanca. Para operadores e agentes de viagens, a capital pode funcionar como extensão de roteiros já comercializados, agregando patrimônio, arte contemporânea, gastronomia e experiências urbanas.

A conectividade aérea entre São Paulo e Casablanca, somada à ligação terrestre entre as duas cidades, favorece essa combinação. O desafio comercial está em apresentar Rabat não apenas como uma visita complementar, mas como um destino capaz de justificar mais tempo de permanência, com uma identidade própria e experiências diferentes das encontradas em outros pontos do país.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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