Secretário apresenta nova fase do destino com foco em experiências e sustentabilidade (Foto: Marcos Arruda)
O perfil do viajante mudou, e isso começa a impactar diretamente destinos consolidados no Brasil. A participação de Porto Seguro na WTM Latin America mostra uma virada clara de posicionamento.
Mais do que presença institucional, o destino apresenta uma estratégia estruturada, baseada em qualificação do turismo e diversificação de experiências.
“Hoje nosso foco está nas novas experiências. A gente quer mostrar o que o agente de viagem ainda não conhece”, afirmou Guto Jones durante a feira.
O que está por trás do movimento
A mudança não é recente. Segundo o secretário, Porto Seguro vem ajustando seu posicionamento há mais de uma década.
“De 2000 a 2010, o destino era muito associado ao turismo jovem e festas. A partir de 2010, começamos a trabalhar outros corredores turísticos, como Arraial, Trancoso e Caraíva”, explicou.
Agora, esse processo entra em uma nova fase.
O destino passa a operar com planejamento estratégico até 2030, com foco em ordenamento e qualificação do crescimento.
Na prática, isso significa organizar melhor o fluxo e aumentar o valor gerado por visitante.
Corredores turísticos ampliam permanência
Um dos pilares da estratégia é a integração de regiões como Caraíva, Trancoso e Arraial d’Ajuda.
A proposta é clara, distribuir melhor o turista e ampliar o tempo de permanência.
“Não seria justo trabalhar só um segmento. O nosso diferencial é justamente essa diversidade”, destacou o secretário.
Na prática, isso amplia consumo e reduz concentração em períodos específicos.
Sustentabilidade passa a orientar o destino
A nova estratégia incorpora conceitos de turismo sustentável e regenerativo.
Entre os destaques estão experiências em áreas como o Parque Nacional do Pau Brasil e o Parque Nacional do Monte Pascoal, além de vivências em aldeias indígenas e atividades de observação de aves e baleias.
“Estamos trabalhando muito forte o turismo sustentável e regenerativo. Esse é o caminho que estamos seguindo”, afirmou.
Enquanto isso, cresce também a valorização de produtos locais, como gastronomia, artesanato em cerâmica e experiências no turismo rural.
O impacto direto no trade
A mudança altera a forma de comercializar o destino.
Porto Seguro passa a ser vendido como um conjunto de experiências, e não apenas como um produto único.
“Hoje a gente tem muita pressa em apresentar essas novas experiências. É isso que queremos colocar no mercado”, reforçou Guto.
Na prática, isso exige maior preparo do trade e abre espaço para produtos com maior valor agregado.
Eventos reforçam posicionamento diverso
Outro eixo importante é o calendário de eventos.
As ações ligadas ao aniversário do Brasil, em 22 de abril, mostram essa diversidade. A programação reúne atividades cívicas, culturais, esportivas e religiosas.
“É um evento que traduz o que é Porto Seguro. Tem cultura, esporte, religião e história”, explicou o secretário.
Entre os destaques estão celebrações da primeira missa, eventos evangélicos, manifestações indígenas e competições esportivas com milhares de participantes.
Por que isso altera a dinâmica do setor
O movimento de Porto Seguro acompanha uma tendência mais ampla do turismo.
Destinos consolidados passam a priorizar qualidade, diversidade e melhor distribuição do fluxo.
Isso reduz a dependência de sazonalidade e amplia o potencial de receita.
Leitura do Mercado | Turismo&Eventos
A fala de Guto Jones deixa claro que Porto Seguro está em uma fase de maturidade estratégica. O destino deixa de competir apenas por volume e passa a trabalhar valor.
Esse movimento tende a influenciar outros destinos nacionais, especialmente aqueles que já enfrentam pressão por crescimento desordenado.
Para o trade, a oportunidade está em antecipar essa mudança e explorar produtos que ainda não estão amplamente comercializados.

