Paraná leva tradição, gastronomia e identidade regional para a FIT Cataratas 2026

Estande do Parará na FITCataratas 2026 (Foto Marcos Arruda)

FOZ DO IGUAÇU (PR) – Nem sempre um destino turístico é promovido por uma cachoeira, uma praia ou um parque natural. Na FIT Cataratas 2026, parte da estratégia do Paraná passou por outro caminho: mostrar que tradição, gastronomia e identidade regional também podem motivar viagens.

Ao reunir produtos reconhecidos por sua origem, história e modo de produção, o estado transformou seu espaço na feira em uma vitrine de experiências ligadas à cultura local. O resultado foi uma viagem por diferentes regiões paranaenses sem sair do Rafain Palace Hotel & Convention.

Da herança ucraniana de Prudentópolis à cultura caiçara do litoral, passando pelas tradições holandesas dos Campos Gerais, os produtos apresentados demonstraram como a identidade de um território pode se transformar em atrativo turístico.

Produtos contam histórias que atraem visitantes

O Paraná lidera atualmente o número de Indicações Geográficas reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com 26 registros.

Mais do que um selo de procedência, essas certificações ajudam a valorizar produtos diretamente ligados à história e à cultura das regiões onde são produzidos.

Na prática, isso significa transformar elementos do cotidiano local em experiências que despertam interesse de turistas.

Foi o caso da Cracóvia de Prudentópolis, embutido produzido por descendentes de ucranianos e reconhecido neste ano como Indicação Geográfica.

No estande do município, os visitantes encontraram degustações do produto acompanhadas por apresentações culturais do Grupo Folclórico Ucraniano Brasileiro Vesselka.

Segundo Marcos Machulek, presidente da Associação dos Produtores de Embutidos de Prudentópolis (Apep), a certificação fortalece a ligação entre o produto e a história da cidade.

“A Cracóvia é um símbolo de Prudentópolis e da herança ucraniana presente na região. A conquista da Indicação Geográfica reforça essa identidade e valoriza o trabalho dos produtores.”

Cultura caiçara ganha visibilidade nacional

Outro destaque veio de Pontal do Paraná.

O município conquistou recentemente a primeira Indicação Geográfica do Brasil para produtos confeccionados com couro de peixe, resultado de um trabalho ligado ao aproveitamento sustentável da pesca artesanal e à preservação da cultura caiçara.

Brincos, colares, chaveiros e acessórios produzidos com o material chamaram a atenção dos visitantes da feira.

Para Maria Regina Macedo Alves, secretária da Associação Couro de Peixe de Pontal do Paraná (ACPPP), o reconhecimento amplia a visibilidade do trabalho desenvolvido na região.

“Recebemos essa identificação geográfica pela qualidade do nosso produto e pela tradição construída ao longo dos anos. É um reconhecimento importante para toda a comunidade.”

Além do artesanato, o município também apresentou o Cambira, prato típico preparado com peixe defumado, pirão e banana-da-terra.

Tradição holandesa vira atrativo turístico

Nos Campos Gerais, as tradicionais tortas de Carambeí também mostraram como gastronomia e turismo caminham juntos.

Produzidas desde a chegada dos imigrantes holandeses à região, as receitas se transformaram em um dos principais símbolos do município e receberam neste ano o reconhecimento de Indicação Geográfica.

Para Lucas Henrique, integrante da Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC), o reconhecimento formaliza uma relação que já existia entre o produto e o turismo.

“As pessoas já viajavam até Carambeí para conhecer e provar nossas tortas. A certificação valoriza essa história e fortalece ainda mais essa conexão com o turismo.”

Quando o produto promove o destino

A participação na FIT Cataratas mostrou que a promoção turística pode ir além dos atrativos tradicionais.

Em muitos casos, é a gastronomia, a cultura ou um produto típico que desperta a curiosidade inicial e incentiva a viagem.

Segundo Nádia Joboji Fernandes, gestora de Projetos de Turismo e Economia Criativa do Sebrae Paraná, as Indicações Geográficas têm papel importante nesse processo.

“A Indicação Geográfica é uma ferramenta de desenvolvimento regional capaz de gerar valor para os produtos, fortalecer a cultura local, ampliar oportunidades de mercado e promover os territórios de forma diferenciada.”

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

O Paraná apresentou na FIT Cataratas uma tendência que vem ganhando força no turismo brasileiro: a valorização da identidade regional como ativo econômico.

Em vez de promover apenas destinos, regiões começam a promover histórias, sabores, tradições e modos de fazer que não podem ser reproduzidos em outro lugar.

É justamente essa autenticidade que transforma um produto local em motivo para viajar.

Autor

  • Marcos Arruda

    Marcos Arruda atua no turismo desde 1997 e é jornalista formado em 2011. É editor e fundador do Turismo&Eventos, veículo multiplataforma voltado ao trade turístico nacional e internacional.
    Com base em São Paulo, acompanha de perto os movimentos do setor, com cobertura de destinos, companhias aéreas, hotelaria e eventos no Brasil e no exterior. Sua atuação é marcada por análise de mercado, leitura estratégica e produção de conteúdo voltado à tomada de decisão no turismo.

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