Workshop reúne especialistas de diversos países para fortalecer respostas à doença que ameaça ecossistemas essenciais para o turismo, a pesca e a proteção do litoral caribenho
Durante muito tempo, projetos ambientais ligados ao turismo foram vistos como ações paralelas às operações das empresas. Essa lógica começa a mudar. Dependentes de ecossistemas preservados para manter destinos competitivos, grupos do setor passaram a investir diretamente em iniciativas de conservação com impacto regional.
É nesse contexto que a MSC Foundation reuniu, em Miami, mais de 45 cientistas, representantes de governos, universidades e organizações ambientais para discutir estratégias de enfrentamento à Doença da Perda de Tecido em Corais Pétreos (Stony Coral Tissue Loss Disease – SCTLD), considerada atualmente uma das maiores ameaças aos recifes de corais do Caribe.
A doença já foi registrada em 33 países e territórios da região, incluindo as Bahamas, onde projetos de monitoramento apoiados pela fundação identificaram o avanço da enfermidade em áreas próximas a Ocean Cay, ilha onde a MSC Foundation mantém um dos seus principais programas de restauração de recifes.

Corais sustentam parte da economia do turismo

Os recifes de corais estão entre os ativos naturais mais importantes do Caribe. Além de concentrarem atividades como mergulho e turismo náutico, funcionam como barreiras naturais contra a erosão costeira e servem de habitat para milhares de espécies marinhas que sustentam a pesca e a biodiversidade.
A expansão da SCTLD preocupa justamente pela velocidade com que compromete essas estruturas. Em alguns casos, colônias inteiras morrem em poucos meses. Na Flórida, a doença já provocou perdas de até 60% da cobertura de corais em áreas atingidas.
Nas Bahamas, levantamentos realizados em 2025 apontaram a presença da doença em mais de 10% dos corais de um dos pontos monitorados, enquanto avaliações realizadas em 2019 não haviam identificado qualquer ocorrência.

Especialistas definem prioridades
Ao longo do workshop, os participantes estabeleceram cinco prioridades para fortalecer a resposta regional:
- ampliar a capacidade local de conservação;
- reduzir lacunas de dados científicos;
- integrar instituições de pesquisa;
- compreender melhor a conectividade entre recifes;
- desenvolver modelos de gestão integrada para os ecossistemas marinhos.
Também foi acordada a criação de uma estrutura comum para orientar futuras ações entre governos, universidades e organizações de conservação.
Segundo David Smith, conselheiro científico-chefe da MSC Foundation, nenhuma instituição conseguirá enfrentar sozinha a dimensão do problema.
“O tamanho e a complexidade da doença exigem cooperação permanente entre pesquisadores, governos e organizações ambientais. Compartilhar conhecimento e experiências é fundamental para acelerar respostas baseadas na ciência.”
Tratamentos apresentam resultados

Os especialistas também discutiram avanços no tratamento da doença. Terapias experimentais com antibióticos já foram aplicadas em dezenas de milhares de corais, alcançando taxas de sobrevivência de até 84% após três anos de monitoramento.
Novas pesquisas envolvendo probióticos também vêm sendo desenvolvidas para ampliar as alternativas de controle da SCTLD.
Além das pesquisas, a MSC Foundation continua apoiando programas de monitoramento e tratamento dos recifes das Bahamas em parceria com o Perry Institute for Marine Science (PIMS) e autoridades ambientais locais.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
A conservação dos recifes deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Ela passou a integrar diretamente a estratégia de competitividade do turismo no Caribe.
Praias preservadas, mergulho, pesca esportiva, cruzeiros e turismo náutico dependem da saúde desses ecossistemas. À medida que doenças como a SCTLD avançam, cresce também a necessidade de investimentos permanentes em pesquisa, monitoramento e recuperação ambiental.
Ao liderar um encontro que reúne governos, universidades e centros de pesquisa internacionais, a MSC Foundation reforça um posicionamento que tende a ganhar força nos próximos anos: empresas do turismo não serão avaliadas apenas pela experiência que oferecem aos viajantes, mas também pela capacidade de preservar os destinos que sustentam seus próprios negócios.

