Mato Grosso do Sul leva pantaneiro, berrante e experiências para operadoras em ofensiva por turistas de maior valor

Crédito: André Abdala

O turismo brasileiro entrou em uma nova fase de disputa comercial entre destinos. Não basta mais participar de feiras ou distribuir material promocional. Estados passaram a buscar ações mais imersivas, capazes de gerar lembrança emocional, relacionamento comercial e venda qualificada dentro das operadoras.

É exatamente nessa linha que o Mato Grosso do Sul colocou na rua o projeto “Mato Grosso do Sul – Especial por Natureza”, iniciativa que combina blitzes presenciais em operadoras, ativação urbana na Avenida Paulista e uma grande experiência para o trade no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP).

A ação começou nesta semana com visitas a cerca de dez operadoras paulistas. Entre elas estão CVC, Kangaroo Tours, Abreu, Visual Turismo, Trend Viagens, Freeway, Ambiental Turismo, Diversa Turismo e Orinter Tour & Travel.

Destino aposta em experiência presencial para fugir da promoção genérica

Em cada visita, equipes das operadoras foram surpreendidas por representantes da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul acompanhados de empresários do trade, um pantaneiro e um ator caracterizado que entrou ao som de berrante.

O movimento tenta transformar capacitação em experiência sensorial e reforçar atributos ligados à autenticidade do destino.

A estratégia também mostra como destinos brasileiros passaram a disputar atenção de agentes e operadoras em um ambiente saturado por campanhas tradicionais. Em vez de focar apenas em preço ou volume, Mato Grosso do Sul tenta fortalecer posicionamento ligado à natureza, exclusividade e turismo de experiência.

Segundo Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, o objetivo não é crescer através do turismo massificado.

“Não somos e não queremos o turismo de massa. Queremos crescer com qualidade, ampliando o tempo de permanência e o tíquete médio dos turistas nacionais e internacionais”, afirma.

Bonito continua como principal motor turístico do estado

O principal ativo turístico do estado segue sendo Bonito, destino que mantém demanda consistente tanto no mercado doméstico quanto regional, especialmente de países vizinhos.

A cidade deve voltar a superar a marca de 300 mil visitantes em 2026. Entre janeiro e março deste ano, Bonito já recebeu 71.730 turistas.

O recorde histórico aconteceu em 2023, quando o destino alcançou 313.116 visitantes.

Segundo Wendling, a meta do estado é crescer cerca de 5% neste ano, mantendo foco em qualidade do visitante e maior geração de receita turística.

O posicionamento mostra uma diferença importante em relação a outros destinos brasileiros. Enquanto parte do mercado ainda persegue crescimento baseado em volume, Mato Grosso do Sul tenta consolidar um modelo apoiado em sustentabilidade, permanência mais longa e consumo de maior valor agregado.

Avenida Paulista e MASP entram como vitrines do destino

A agenda do projeto segue neste domingo com ativação aberta ao público na Avenida Paulista, em São Paulo. O encerramento acontece na segunda-feira com um evento de experiência no MASP para cerca de 400 convidados.

A escolha de São Paulo não acontece por acaso. O estado paulista continua sendo um dos maiores emissores nacionais de turistas para destinos de natureza e ecoturismo no Brasil.

Ao ocupar espaços simbólicos da capital paulista, Mato Grosso do Sul busca ampliar visibilidade junto ao consumidor final e fortalecer relacionamento com operadores e agentes estratégicos.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

Mato Grosso do Sul começa a mostrar um movimento mais sofisticado de promoção turística. Em vez de campanhas tradicionais focadas apenas em divulgação, o estado aposta em experiências presenciais e relacionamento comercial direto.

O discurso contra o turismo de massa também revela uma tentativa clara de posicionamento premium. O objetivo passa menos por quantidade e mais por permanência, gasto médio e sustentabilidade do fluxo turístico.

Bonito continua sendo o principal motor da estratégia, mas o modelo pode abrir espaço para outros destinos sul-mato-grossenses ligados à natureza, pesca, cultura regional e experiências autênticas.

Ao levar ativações para operadoras, Avenida Paulista e MASP no mesmo projeto, o estado tenta unir trade, branding e consumidor final dentro de uma única narrativa promocional.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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