Jackson Weech, novo diretor-geral do Ministério do Turismo das Bahamas (The Bahamas Ministry of Tourism/BMOT)
Jackson Weech assume direção-geral em outubro após mais de três décadas na hotelaria, com a tarefa de transformar o atual impulso turístico em crescimento sustentável
As Bahamas terão, a partir de 1º de outubro, uma nova liderança técnica para o turismo justamente quando o destino atravessa um dos períodos de maior expansão de sua história. O Ministério do Turismo das Bahamas nomeou Jackson Alexander Weech como diretor-geral, substituindo Latia Duncombe, que esteve à frente da estrutura por mais de quatro anos.
A mudança ocorre depois de um recorde de 12,5 milhões de visitantes em 2025, o maior volume já registrado pelo arquipélago. O resultado representou crescimento de 11,4% em relação a 2024, enquanto os indicadores de turismo de permanência também continuaram avançando em 2026.
Weech chega ao Ministério com mais de 35 anos de experiência na hotelaria e no turismo nas Bahamas, no Caribe e no Reino Unido. Sua carreira foi construída principalmente no setor privado, com passagens por operações hoteleiras, vendas e marketing, planejamento estratégico, gestão financeira, relações trabalhistas e promoção turística.
A transição, portanto, coloca no comando técnico do turismo um executivo que conhece a atividade a partir da operação dos empreendimentos e da relação cotidiana com hóspedes, trabalhadores, investidores e parceiros do setor.
Da hotelaria para a gestão do destino
Antes da nomeação, Weech ocupava a presidência da Bahamas Hotel and Tourism Association (BHTA), posição que assumiu em dezembro de 2024. Mais recentemente, foi vice-presidente e diretor-geral do The Royal Towers, no Atlantis Paradise Island, onde supervisionava operações hoteleiras, desempenho financeiro, experiência dos hóspedes, planejamento de investimentos e desenvolvimento das equipes de liderança.
Também passou pela vice-presidência de Operações Hoteleiras do Atlantis Paradise Island e comandou empreendimentos como Sandals Royal Bahamian, Sandals Negril e SuperClubs Breezes Bahamas. Neste último, permaneceu por 15 anos e também colaborou com propriedades da rede na Jamaica.
Sua experiência anterior inclui ainda recursos humanos e relações trabalhistas. Como diretor-executivo adjunto da Associação de Empregadores Hoteleiros das Bahamas, participou de processos de mediação e arbitragem e assessorou hotéis em negociações e acordos coletivos.
O perfil ajuda a explicar a escolha em um momento no qual os desafios do destino vão além da atração de visitantes. Conectividade aérea, qualificação profissional, infraestrutura, melhoria do produto turístico e competitividade estão entre os temas que o novo diretor-geral deverá acompanhar na condução técnica do Ministério.
“Jackson Weech traz ao Ministério uma sólida experiência no setor turístico, que será fundamental para continuarmos fortalecendo a indústria e garantindo que o turismo gere oportunidades econômicas concretas para os bahamenses”, afirmou a ministra do Turismo, Glenys Hanna Martin.
O desafio depois do recorde
O tamanho dos números recentes ajuda a dimensionar o momento da mudança. Em 2025, as Bahamas receberam 12,5 milhões de visitantes, crescimento de 11,4% sobre o ano anterior. Quase 1,7 milhão chegaram por via aérea, enquanto a maior parcela veio pelo segmento de cruzeiros.
Mas o desempenho também começa a colocar uma questão diferente para a política turística: como converter volumes recordes em maior valor econômico para o destino.
A própria estratégia das Bahamas vem procurando distribuir o turismo para além dos principais polos. O arquipélago trabalha internacionalmente com 16 destinos insulares, dentro de um território formado por mais de 700 ilhas e ilhotas. A campanha “A Lifetime of Islands” foi criada justamente para apresentar essa diversidade e reduzir a percepção do país como um destino concentrado em poucos pontos conhecidos.
Os dados de 2025 indicam que essa diversificação já começa a aparecer. Segundo o Ministério do Turismo, quase 30% dos visitantes de permanência seguiram para as Out Islands, enquanto destinos como Eleuthera registraram crescimento próximo de 30%.
Para a nova gestão, ampliar essa distribuição pode significar fazer com que o crescimento do turismo alcance mais comunidades, negócios e trabalhadores locais.
Uma transição depois de quatro anos de expansão
Jackson Weech sucede Latia Duncombe, que chegou ao Ministério como diretora-geral adjunta em 2021 e assumiu a direção-geral interina em janeiro de 2022. Em janeiro de 2023, foi efetivada no cargo, tornando-se a terceira mulher a ocupar a principal posição técnica da instituição.
Durante sua gestão, o destino registrou três anos consecutivos de recordes e lançou a plataforma “A Lifetime of Islands”, reforçando a promoção dos 16 destinos insulares.
Ao anunciar a transição, Hanna Martin agradeceu a contribuição da ex-diretora-geral e destacou os resultados alcançados durante sua administração.
A mudança, portanto, não ocorre em um cenário de recuperação ou de reposicionamento emergencial. Weech assume uma estrutura que chega à transição com indicadores positivos e uma estratégia internacional já estabelecida.
O desafio passa a ser dar continuidade a esse ciclo sem depender exclusivamente do aumento do número de visitantes.
Um executivo com experiência no lado operacional
A formação de Weech também combina experiência prática e qualificação acadêmica. Ele é formado em Gestão Hoteleira pelo Shannon College of Hotel Management, na Irlanda, onde obteve o Higher National Diploma, e possui diploma em Gestão Hoteleira pelo Bahamas Hotel Training College. Também concluiu o Executive Development Program da Cornell University, nos Estados Unidos.
“É uma honra receber a confiança para assumir a responsabilidade de diretor-geral do Ministério do Turismo das Bahamas. Dediquei toda a minha carreira a esse setor e tive o privilégio de trabalhar ao lado de muitas das pessoas e organizações que fazem do turismo bahamense um sucesso”, declarou.
O executivo também afirmou que pretende trabalhar com a ministra, a equipe do Ministério e os parceiros privados na continuidade do desenvolvimento do turismo das Bahamas.
A escolha de alguém vindo diretamente da hotelaria coloca no centro da gestão pública uma experiência acumulada justamente nos pontos em que a estratégia de destino precisa se transformar em entrega: operação, pessoas, produto, investimento e experiência do visitante.
O próximo ciclo do turismo das Bahamas
A chegada de Weech acontece, assim, em um momento diferente daquele enfrentado por seus antecessores. O destino não precisa apenas recuperar demanda ou aumentar sua exposição internacional. Ele precisa administrar o crescimento.
Isso envolve manter a conectividade aérea, qualificar a mão de obra, melhorar infraestrutura, diversificar mercados e distribuir melhor o fluxo entre as ilhas. Também significa transformar a força da marca Bahamas em maior permanência, consumo e participação econômica dos negócios e comunidades locais.
A experiência acumulada por Weech no setor privado poderá ser particularmente relevante nesse processo. Sua trajetória o coloca entre os profissionais que conhecem, de dentro, a relação entre estratégia de destino e funcionamento da indústria turística.
A partir de outubro, essa experiência passa a ser aplicada do outro lado da mesa: na liderança técnica do Ministério que coordena a estratégia turística de um país que acaba de estabelecer seu próprio recorde.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
A troca no comando técnico do turismo das Bahamas acontece em uma fase de maturidade da expansão do destino. Depois de alcançar 12,5 milhões de visitantes em 2025, o desafio deixa de ser apenas aumentar o fluxo e passa a envolver a qualidade e a distribuição desse crescimento.
A trajetória de Jackson Weech aproxima a gestão pública da realidade operacional da hotelaria. Sua experiência em grandes empreendimentos, associações empresariais e relações com diferentes elos da indústria pode favorecer uma leitura mais integrada de questões como conectividade, mão de obra, produto e experiência do visitante.
Para o mercado internacional, a transição também merece atenção porque as Bahamas trabalham para diversificar sua oferta entre 16 destinos insulares. O desempenho futuro dependerá não apenas da capacidade de manter a demanda internacional, mas de fazer com que o crescimento alcance mais territórios e gere maior valor econômico para a população local.

