Hotel Ritta Höppner chega aos 68 anos preservando identidade familiar em Gramado

Foto: Via assessoria

Meio de hospedagem celebra trajetória iniciada em 1958 com Chá da Tarde especial e coleciona reconhecimentos nacionais e internacionais

Há hotéis que acompanham a transformação de um destino. Em Gramado, o Hotel Ritta Höppner é um deles. O empreendimento completa 68 anos em 26 de setembro de 2026, com uma trajetória construída ao longo de três gerações da família e iniciada em um período em que o turismo da Serra Gaúcha ainda tinha outra dimensão.

A comemoração será marcada por uma edição especial do tradicional Chá da Tarde, oferecido aos hóspedes no sábado (26). O serviço, que faz parte da experiência do hotel há 16 anos, manterá seu formato habitual, mas ganhará música clássica ao vivo e recepção com espumante.

A história do empreendimento, porém, começa antes da inauguração. Ela está ligada à trajetória de Otto Höppner e Ritta Horst, que se conheceram em Hamburgo, na Alemanha, na década de 1930. O casal se casou em 1939 e teve um filho, Heino. Depois da Segunda Guerra Mundial, os três deixaram a Alemanha e chegaram ao Rio Grande do Sul em 1952.

A família viveu inicialmente em Rio Grande e, em 1956, mudou-se para Gramado. Otto passou a trabalhar como pedreiro e participou da construção de casas no bairro Planalto, enquanto Ritta assumiu a administração da Pensão Postweiler, arrendada pelo casal.

Foi a experiência com a hospedagem que abriu um novo caminho para a família. Em 1958, terrenos no entorno da pensão começaram a ser adquiridos e Otto construiu os primeiros chalés do empreendimento, então denominado Veraneio Ritta Höppner.

Uma história construída ao longo das gerações

A evolução do hotel acompanhou a própria transformação de Gramado como destino turístico. Depois da morte de Ritta, em 1973, o estabelecimento passou a adotar o nome Hotel Ritta Höppner.

Hoje, a terceira geração da família participa da gestão. Adriana e Alexsandro Martins de Almeida estão à frente do hotel, enquanto Gisele e Guilherme Höppner conduzem o Parque Mini Mundo, também em Gramado.

Para Adriana Höppner, a longevidade do empreendimento está relacionada não apenas à permanência da empresa, mas à capacidade de atravessar diferentes momentos sem perder elementos que fazem parte de sua identidade.

A percepção ajuda a explicar por que tradições criadas em outros momentos continuam presentes na experiência atual. O Chá da Tarde, por exemplo, tornou-se uma atividade regular oferecida aos hóspedes há 16 anos e será justamente um dos elementos escolhidos para marcar o aniversário.

Tradição como parte da experiência

A comemoração dos 68 anos não será baseada apenas em uma programação especial. O hotel optou por utilizar uma experiência que já faz parte de sua rotina para marcar a data.

A escolha revela uma característica importante da hotelaria de longa trajetória: a tradição pode funcionar como produto de experiência quando deixa de ser apenas memória e continua fazendo sentido para o hóspede atual.

No caso do Ritta Höppner, o Chá da Tarde combina hospitalidade e ritual. Na edição de aniversário, a música clássica e o espumante acrescentam elementos à experiência sem alterar sua essência.

É uma forma de celebrar a história sem transformar a tradição em peça de museu.

Reconhecimento além de Gramado

A trajetória do Ritta Höppner também vem sendo acompanhada por avaliações e premiações internacionais.

Em 2026, o hotel ficou em segundo lugar entre os hotéis do Brasil e em terceiro na América do Sul no Travelers’ Choice do Tripadvisor, reconhecimento baseado nas avaliações publicadas pelos viajantes na plataforma.

Em 2025, havia alcançado o primeiro lugar entre os hotéis da América do Sul na categoria Best of the Best do Tripadvisor.

No mesmo ano, recebeu o Signum Virtutis, concedido pelo Seven Stars Luxury Hospitality and Lifestyle Awards, como melhor hotel boutique para casamentos e eventos do Brasil e da América do Sul.

Os reconhecimentos ajudam a colocar a trajetória familiar do empreendimento em outra perspectiva. A história construída localmente passou a ser também percebida por visitantes que avaliam a experiência de hospedagem a partir de diferentes mercados.

O desafio de envelhecer sem perder relevância

Completar 68 anos no setor hoteleiro significa ter atravessado mudanças profundas no comportamento dos viajantes, na estrutura do turismo e na própria cidade de Gramado.

Para empreendimentos familiares, a continuidade envolve ainda outro desafio: transferir valores entre gerações sem impedir que o negócio acompanhe novas expectativas.

No Ritta Höppner, a permanência de elementos como o Chá da Tarde funciona como uma espécie de elo entre esses períodos. A tradição permanece, mas sua apresentação pode incorporar novos elementos.

É nessa combinação entre memória e adaptação que a longevidade deixa de ser apenas uma questão de tempo de mercado e passa a fazer parte da própria experiência oferecida ao hóspede.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A trajetória do Hotel Ritta Höppner mostra como a longevidade pode se tornar um ativo de hospitalidade quando está associada a uma identidade reconhecível. Em destinos maduros como Gramado, história, tradição e experiências próprias podem diferenciar uma propriedade em um mercado com ampla oferta de hospedagem.

O ponto central não está apenas em preservar rituais, mas em fazê-los continuar relevantes para diferentes gerações de hóspedes. O Chá da Tarde representa esse movimento: uma tradição criada ao longo do tempo que permanece integrada à experiência contemporânea do hotel.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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