Club Med Lake Paradise avança no ESG e entra em nova etapa de gestão sustentável

Resort em Mogi das Cruzes eleva pontuação na certificação ESG Pulse e amplia ações em água, energia, biodiversidade, fornecedores e inclusão – Divulgação/Club Med Brasil

O Club Med Lake Paradise, em Mogi das Cruzes (SP), entrou em uma nova etapa de sua agenda de sustentabilidade. Pelo segundo ano consecutivo, o resort recebeu a certificação ESG Pulse e passou do Nível 2 – Gerencial para o Nível 3 – Transformador, após elevar sua pontuação de 71 para 76,4 pontos.

A mudança de nível é relevante porque indica que as práticas ambientais, sociais e de governança deixaram de ser avaliadas apenas como iniciativas operacionais e passaram a integrar, de forma mais ampla, a estratégia e a cultura da unidade. A avaliação foi realizada por meio de auditoria documental e presencial.

Pela metodologia ESG Pulse, a faixa Transformador compreende resultados entre 76% e 92%. No desempenho atual, o Lake Paradise alcançou 74,9 pontos no eixo Ambiental, 79 no Social e 75,3 em Governança.

Água entra no centro da operação

Entre os avanços identificados pela auditoria está a gestão dos recursos hídricos. O resort utiliza tecnologia de hidrólise salina no tratamento das piscinas, processo que produz cloro a partir de sal grosso e foi considerado pela certificadora um avanço na sustentabilidade operacional.

A gestão ambiental também envolve medidas presentes no funcionamento cotidiano do empreendimento, como iluminação em LED, climatização central regulada, equipamentos de refrigeração sem CFC e HCFC e ponto de recarga para veículos elétricos.

O paisagismo utiliza espécies do bioma local, enquanto o controle de visitas contribui para a proteção das áreas naturais. O resort mantém ainda metas relacionadas à redução de emissões de gases de efeito estufa e ações voltadas ao turismo sustentável.

Sustentabilidade chega aos fornecedores

Um dos aspectos que amplia a abrangência da estratégia está na cadeia de suprimentos.

A auditoria identificou diretrizes de compras sustentáveis que consideram, entre outros itens, produtos orgânicos, hortifrúti de produtores locais e ovos cage free. Também fazem parte das iniciativas a substituição de plásticos descartáveis, o uso de embalagens maiores para reduzir resíduos, a adoção de iluminação LED e a utilização de papel reciclado.

A lógica é deslocar parte da agenda ambiental para além dos limites físicos do resort, incorporando critérios de sustentabilidade também às escolhas realizadas na operação.

Biodiversidade passa a orientar próximos passos

O patrimônio natural da propriedade também ganhou espaço na avaliação. O Lake Paradise realizou recentemente um estudo de biodiversidade, que poderá servir de base para futuras intervenções e ações de manejo ecológico.

O resort mantém ainda relacionamento com uma cooperativa de agricultores que trabalha com métodos agroecológicos e desenvolve ações de conscientização relacionadas às espécies brasileiras.

No campo social, a certificação contempla iniciativas de diversidade e inclusão, acessibilidade, capacitação dos colaboradores, valorização da cultura local e alimentação relacionada à cultura regional. Também são considerados mecanismos de diálogo com as equipes e ações voltadas ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

Certificação cria uma nova régua para a operação

Para o Club Med, o avanço não representa apenas o reconhecimento das iniciativas existentes, mas uma referência para os próximos ciclos.

“A evolução do Lake Paradise demonstra que sustentabilidade é uma agenda que vem sendo incorporada de forma cada vez mais estratégica à operação do resort. Nosso objetivo é transformar os apontamentos e aprendizados de cada ciclo em ações concretas, que gerem impacto positivo para o meio ambiente, para nossos colaboradores, hóspedes e para a comunidade do entorno”, afirma Janyck Daudet, presidente do Club Med para América do Sul.

A própria avaliação aponta que a conquista do novo nível não encerra o processo. Entre os pontos que podem avançar estão a segregação de resíduos, a ampliação de iniciativas de acessibilidade, o fortalecimento das parcerias com a comunidade local e a formalização de processos ambientais e sociais.

Leitura de Mercado | Turismo&Eventos

A evolução do Lake Paradise mostra uma mudança importante na forma como o ESG começa a ser incorporado à hotelaria. A certificação deixa de funcionar apenas como um selo associado à imagem do empreendimento e passa a estabelecer uma régua para acompanhar a evolução da operação.

Para resorts, esse movimento tem implicações diretas. Consumo de água e energia, gestão de resíduos, fornecedores, biodiversidade, relações de trabalho e vínculo com as comunidades deixaram de ser temas isolados e passaram a compor a percepção de valor do produto hoteleiro.

O ponto mais relevante, porém, está na continuidade. A passagem de 71 para 76,4 pontos demonstra evolução, mas também coloca o empreendimento diante de uma exigência maior: manter resultados e transformar os pontos ainda frágeis em metas operacionais concretas.

Para o mercado, é um sinal de que a agenda ESG tende a ser cada vez menos associada a ações pontuais e mais à capacidade de medir, corrigir e comprovar resultados ao longo do tempo.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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