Foto: Roberto Castro/MTUr
Mercado doméstico alcança 76,8 milhões de viajantes, enquanto o internacional cresce 7,2%. Resultado amplia a relevância da conectividade aérea para destinos, hotelaria e distribuição turística.
O transporte aéreo brasileiro registrou o maior volume de passageiros de sua série histórica nos nove primeiros meses de 2026. Entre janeiro e setembro, os mercados doméstico e internacional somaram 99,5 milhões de passageiros, alta de 4,2% em relação aos 95,5 milhões contabilizados no mesmo período de 2025. O resultado reúne dois movimentos importantes para o setor: a expansão das viagens dentro do país e o crescimento da demanda por conexões internacionais.
No mercado doméstico, foram transportados 76,8 milhões de passageiros, avanço de 3,4% sobre os 74,3 milhões registrados entre janeiro e setembro do ano passado. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), compilados pelo Ministério do Turismo, é a primeira vez desde o início da série histórica, em 2000, que o volume ultrapassa a marca de 76 milhões de passageiros nesse intervalo.
Setembro contabilizou 8,5 milhões de passageiros em voos domésticos, mantendo o patamar elevado observado no ano anterior. Embora o resultado confirme a dimensão alcançada pelo mercado brasileiro, a evolução mensal e a distribuição da demanda entre rotas e aeroportos serão importantes para avaliar a continuidade desse crescimento.
Mercado internacional avança em ritmo mais acelerado
A movimentação internacional apresentou crescimento superior ao doméstico. Foram 22,7 milhões de passageiros entre janeiro e setembro, contra 21,1 milhões no mesmo intervalo de 2025, uma alta de 7,2%.
Em setembro, o mercado internacional também atingiu recorde mensal, com 2,3 milhões de passageiros, volume 4% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado.
A diferença entre os ritmos de expansão merece atenção das companhias aéreas, dos aeroportos e das empresas que comercializam viagens. O avanço internacional amplia a importância da oferta de assentos, das conexões nos principais centros de distribuição de voos e da integração entre transporte aéreo e serviços turísticos. Para os destinos brasileiros, o desempenho também reforça a necessidade de acompanhar a evolução das rotas internacionais e a capacidade de transformar chegadas em hospedagens, passeios e consumo local.
Os números, entretanto, não permitem concluir, isoladamente, que o crescimento esteja distribuído de maneira uniforme pelo território nacional. A análise por aeroporto, origem, destino e rota será determinante para identificar onde a demanda efetivamente se concentra e quais mercados apresentam maior potencial comercial.
Turismo cresce, mas os indicadores medem resultados diferentes
O desempenho da aviação ocorre em um ano de expansão de outros indicadores do turismo brasileiro. Segundo os dados apresentados pelo Ministério do Turismo, o país alcançou 7 milhões de turistas internacionais na semana anterior à divulgação dos números, mantendo o patamar inédito registrado no mesmo período de 2025. No ano passado, o Brasil recebeu 9,2 milhões de visitantes estrangeiros, recorde anual.
A receita com gastos de turistas internacionais também avançou. De janeiro a agosto de 2026, os visitantes estrangeiros deixaram R$ 38,7 bilhões na economia brasileira, o maior resultado histórico para o período. Os dados de setembro ainda não haviam sido divulgados pelo Banco Central.
No turismo de negócios, o faturamento chegou a R$ 9,75 bilhões entre janeiro e agosto, crescimento de 8,2% na comparação anual, conforme os números da Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp). Já o emprego formal no setor registrou a criação de 62 mil vagas entre agosto de 2025 e agosto de 2026, levando o total de trabalhadores a 2,42 milhões, segundo os dados informados pelo governo.
Apesar de apontarem uma conjuntura favorável, esses indicadores não são equivalentes: passageiros transportados, turistas internacionais, receitas e empregos medem dimensões diferentes da atividade. A combinação dos resultados oferece uma visão mais abrangente do setor, mas a avaliação econômica depende também de fatores como tarifas, custos operacionais, ocupação dos voos, permanência dos visitantes e distribuição dos gastos.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
O recorde aéreo confirma a escala da demanda por viagens no Brasil, mas o próximo desafio é entender como esse volume se converte em resultado para as empresas. Mais passageiros não significam automaticamente maior rentabilidade: tarifas, custos, ocupação e disponibilidade de assentos continuam determinantes para o desempenho das companhias.
Para hotéis, operadoras, agências e destinos, a expansão simultânea dos mercados doméstico e internacional amplia as oportunidades de comercialização. A questão estratégica passa a ser identificar as rotas e os períodos com maior potencial, ajustar produtos à demanda e aproveitar a conectividade para estimular permanências mais longas e ampliar o consumo turístico.
Os próximos dados da Anac, especialmente os recortes por aeroporto e rota, ajudarão a distinguir um crescimento disseminado de uma expansão concentrada em determinados mercados. Essa leitura será essencial para orientar decisões de capacidade, distribuição e investimento no setor.

