Salas VIP ganham novo papel nos aeroportos e passam a oferecer experiências além do embarque

Foto: Ambaar Divulgação

O tempo de espera nos aeroportos está deixando de ser um intervalo improdutivo para se transformar em parte estratégica da jornada do viajante. Com a evolução do perfil do público premium, as salas VIP passam a ocupar um novo papel, mais próximo de experiência do que de conveniência.

Dados da International Air Transport Association mostram que as viagens em classes executiva e primeira cresceram 11,8% em 2024, totalizando 116,9 milhões de passageiros. Esse avanço, somado à força dos programas de fidelidade, pressiona o mercado a investir em diferenciação.

Nesse contexto, os lounges deixam de ser apenas espaços de espera e passam a atuar como pontos de conexão entre marcas e clientes de alto valor.

Experiência entra no centro da estratégia

A transformação das salas VIP acompanha uma mudança clara no comportamento do consumidor.

O passageiro frequente busca mais do que conforto. Ele valoriza experiências que agreguem sentido ao tempo, mesmo em momentos de trânsito.

É nessa linha que a Ambaar vem estruturando sua atuação. Com 19 lounges em operação, incluindo unidades no Brasil e no exterior, a empresa aposta em ativações que ampliam o papel desses espaços.

Eventos como o Sunset Urbano exemplificam esse movimento. Música, drinks e ambientação sensorial criam uma experiência que rompe com o conceito tradicional de lounge.

Regionalização e cultura ganham espaço

Outro ponto relevante está na valorização da identidade local.

A Ambaar tem desenvolvido ativações que dialogam com o contexto cultural de cada destino. O Sunset Mineiro, realizado no BH Airport, é um exemplo dessa estratégia, ao incorporar elementos da gastronomia e da cultura regional.

Em datas específicas, como o Carnaval, as ações ganham ainda mais força. Parcerias com marcas, como degustações temáticas, conectam o ambiente do lounge ao momento cultural do país.

Esse tipo de iniciativa amplia a percepção de valor e aproxima o cliente da marca de forma mais natural.

Gastronomia e bem-estar reforçam a experiência

A evolução das salas VIP também passa pela oferta gastronômica e pelo cuidado com o ambiente.

Espaços como a Ambaar Club Viracopos incorporam áreas externas, iluminação acolhedora e mobiliário pensado para o conforto.

As varandas ganham destaque como áreas de relaxamento, permitindo ao passageiro desacelerar mesmo dentro da dinâmica do aeroporto.

Esse cuidado com o ambiente reforça a ideia de que o lounge não é apenas funcional. Ele é parte da experiência da viagem.

Relacionamento com marcas se fortalece

Além da experiência do cliente, os lounges assumem papel estratégico para marcas parceiras.

Bancos, companhias aéreas e programas de fidelidade encontram nesses espaços um ambiente qualificado para relacionamento e engajamento.

Segundo Bernardo Claro da Fonseca, o movimento está alinhado ao novo perfil do consumidor. “Hoje, o passageiro valoriza a conveniência com identidade. As experiências precisam fazer sentido e agregar valor ao tempo dele”, afirma.

Esse posicionamento transforma as salas VIP em plataformas de conexão, e não apenas em serviços adicionais.

O que essa mudança indica para o turismo

A evolução das salas VIP acompanha uma tendência mais ampla no turismo. Todos os pontos da jornada passam a ser relevantes.

O embarque, antes visto como etapa operacional, agora também precisa gerar experiência.

Para o trade, isso abre novas oportunidades. Parcerias, ativações e experiências em aeroportos passam a integrar a estratégia de relacionamento com o cliente.

Além disso, o movimento reforça a importância de pensar a viagem como um todo, e não apenas o destino final.

Leitura do Mercado | Turismo&Eventos

As salas VIP mostram como o conceito de experiência está avançando dentro do turismo.

O passageiro premium não aceita mais espaços neutros. Ele busca ambientes com identidade, propósito e conexão.

Operadores que entenderem esse movimento e investirem em experiências sensoriais e personalizadas tendem a ganhar relevância.

O aeroporto deixa de ser apenas passagem. E passa a ser parte ativa da jornada do viajante.

Autor

  • Patricia Penna

    Patricia Penna é jornalista e chefe de redação do Turismo&Eventos, onde atua na produção e curadoria de conteúdos voltados ao trade turístico nacional.
    Com olhar atento às pautas do setor, participa da cobertura de destinos, eventos e tendências, contribuindo para a construção de um conteúdo informativo, atual e alinhado às transformações do turismo. Sua atuação é focada em clareza editorial, consistência e conexão com o público profissional.

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