Guto Jones, Secretário Municipal de Turismo de Porto Seguro e Richard Alves, diretor executivo da Lab Turismo Consultoria – Divulgação Lab Turismo
Oficina reúne lideranças do setor para discutir desafios, oportunidades e prioridades que devem orientar a gestão do destino até o fim da década
Porto Seguro (BA) deu mais um passo na construção do Planejamento Estratégico do Turismo 2030, processo que pretende estabelecer uma agenda de longo prazo para o desenvolvimento da atividade turística no município. A Oficina Estratégica, realizada no sábado (19), reuniu integrantes do Conselho Municipal de Desenvolvimento do Turismo e lideranças ligadas direta e indiretamente ao setor para discutir os principais desafios e oportunidades do destino.
A iniciativa é conduzida pela Prefeitura Municipal de Porto Seguro, com elaboração técnica da Lab Turismo Consultoria, responsável pela metodologia, diagnóstico, sistematização das contribuições e condução das atividades participativas. A abertura foi feita pelo secretário municipal de Turismo, Guto Jones, enquanto a oficina foi conduzida pelo diretor executivo da consultoria, Richard Alves.
Mais do que apresentar um diagnóstico pronto, o encontro colocou os diferentes atores do turismo no centro da discussão. A proposta é utilizar a experiência de quem atua no destino para ajudar a transformar informações e percepções do mercado em prioridades capazes de orientar políticas, programas e projetos.
Três dimensões estruturam o planejamento
Durante a oficina, foram apresentadas as etapas já realizadas e os resultados da consulta pública promovida entre 20 de agosto e 5 de setembro. As contribuições foram organizadas em três dimensões consideradas centrais para o planejamento: Oferta Turística, Mercado Turístico e Governança Turística.
A partir desses eixos, foram discutidos temas que atravessam diretamente a competitividade do destino, como hospedagem, gastronomia, eventos, atuação de guias e agências, infraestrutura, demanda turística, promoção e comercialização, posicionamento, marketing, investimentos, sustentabilidade, ordenamento e governança.
O modelo adotado permite que questões diferentes sejam analisadas de forma integrada. A infraestrutura, por exemplo, interfere tanto na experiência do visitante quanto na capacidade de comercialização do destino. Da mesma forma, promoção turística depende de um posicionamento que esteja conectado à oferta existente e às características dos mercados que Porto Seguro pretende alcançar.
Para Richard Alves, a participação das lideranças é um dos elementos centrais para que o planejamento resulte em uma agenda aplicável à realidade local.
Segundo ele, a construção combina dados, diagnóstico e participação dos profissionais e atores que vivenciam o turismo no município. A intenção é transformar esse processo em prioridades, programas e projetos que possam orientar as decisões e a gestão do setor nos próximos anos.
Escuta local entra na definição das prioridades
Uma das atividades da oficina colocou os participantes diante de aspectos positivos, desafios e pontos que precisam avançar nas três dimensões do planejamento.
A dinâmica acrescentou ao diagnóstico técnico a percepção dos representantes que acompanham diariamente o funcionamento da atividade turística em Porto Seguro. As contribuições serão incorporadas às próximas etapas e utilizadas na definição das prioridades estratégicas.
Esse processo participativo também ajuda a deslocar o planejamento de uma lógica exclusivamente institucional para uma construção compartilhada entre poder público, iniciativa privada e representantes do setor.
Guto Jones destacou que a elaboração do Plano Municipal de Turismo representa uma iniciativa inédita no município e afirmou que o trabalho deverá avançar para outras áreas do destino. A próxima etapa, segundo o secretário, terá foco no litoral Sul, com continuidade da escuta dos atores locais.
Plano terá horizonte até 2030
O trabalho começou em maio e prevê uma sequência de etapas que vai além da elaboração de um documento. O cronograma inclui mobilização institucional, diagnóstico situacional, construção da visão de futuro e do posicionamento estratégico, definição de diretrizes, programas e projetos e criação de um sistema de monitoramento.
O processo ainda prevê validação e entrega do Plano.
Um dos pontos que diferencia a proposta é a previsão de suporte à implementação até maio de 2028. A ideia é acompanhar a incorporação das diretrizes construídas durante o planejamento à gestão municipal do turismo.
O horizonte até 2030 coloca Porto Seguro diante de uma questão que ultrapassa a definição de ações promocionais. Para um destino consolidado, planejar os próximos anos envolve discutir simultaneamente oferta, infraestrutura, mercados, sustentabilidade, governança e capacidade de gestão.
A participação de diferentes segmentos pode contribuir justamente para identificar onde esses elementos se encontram — e onde ainda existem obstáculos para que o destino avance de forma coordenada.
Leitura de Mercado | Turismo&Eventos
O movimento de Porto Seguro mostra uma mudança importante na forma de pensar destinos turísticos consolidados: crescimento e promoção precisam estar acompanhados de planejamento, gestão e capacidade de monitoramento.
Ao estruturar o Plano até 2030 e incorporar a percepção de empresários, conselheiros e demais lideranças, o município cria uma base para transformar demandas dispersas em prioridades comuns. O principal desafio estará na etapa seguinte: fazer com que as diretrizes deixem de ser apenas um documento estratégico e passem a orientar decisões, investimentos e ações concretas.

